Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Análise

EUA devem manter expansão abaixo da tendência até 2011

Micheli Rueda   (mrueda@brasileconomico.com.br)
26/08/10 20:24


"É preciso se preocupar menos com o déficit fiscal", considera professor da PUC-SP

Collapse

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  

O temor da crise ressoa novamente nos Estados Unidos. A convicção do crescimento sustentável cede espaço para um ritmo mais moroso. Estimativas apontam para uma expansão entre 1% e 2% em 2010.

"A economia americana manterá o crescimento abaixo da tendência natural até 2011, tendo em vista o patamar de 2,5% de expansão", avaliou Antônio Carlos dos Santos, professor do curso de economia internacional da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).

De acordo com Santos, se o PIB cresce abaixo do potencial, a recuperação não tem folego.

Amanhã (27) será divulgada a segunda estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre dos Estados Unidos. O consenso dos analistas mostra uma revisão negativa de 1 ponto percentual, passando a taxa de 2,4% para 1,4%.

Nesse sentido, o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Gala, afirma que é baixa a probabilidade do indicador apresentar um resultado negativo, uma vez que a economia americana se encontra em uma situação de semi-estagnação.

"As economias dos Estados Unidos e da Europa estão andando de lado, interromperam a recuperação", considera Gala, enfatizando que este processo é resultado do alto endividamento das famílias americanas.

Por sua vez, o professor da PUC aponta as dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho como responsáveis pela desaceleração da retomada econômica. E a solução para esse dilema parece não ser simples.

"A política monetária está em um patamar em que nada mais pode ser feito. A saída é a política fiscal, apesar do ambiente político para ampliar os gastos do governo não ser favorável", explicou o professor da PUC.

Atualmente, a taxa básica de juros dos EUA está fixada entre zero e 0,25% ao ano - menor patamar da história, mantido desde dezembro de 2008.

Quanto ao orçamento do governo americano, em julho deste ano, foi registrado déficit de US$ 165 bilhões, ante US$ 180,7 bilhões no mês anterior.

No entanto, Santos acredita que "é preciso se preocupar menos com o déficit fiscal".

Mercados

As bolsas dos Estados Unidos fecharam em queda nesta quinta-feira (26), com o índice Dow Jones abaixo de 10 mil pontos pela primeira vez desde o início de julho.

O mercado ficou na defensiva um dia antes de uma esperada revisão para baixo nos dados de crescimento do segundo trimestre e de um importante discurso do chairman do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke.

O Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, recuou 0,74%, para 9.985 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 1,07%, para 2.118 pontos. O índice Standard & Poor's 500 perdeu 0,77%, a 1.047 pontos.

No discurso que fará amanhã em Jackson Hole, Wyoming, Bernanke deverá debater as perspectivas incertas para a economia, mas não se espera que ele dê muitos indícios sobre se o Fed vai injetar mais dinheiro no sistema financeiro para manter a retomada em curso.


Comentários

Ainda não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA