"É preciso se preocupar menos com o déficit fiscal", considera professor da PUC-SP
Comunidade
O temor da crise ressoa novamente nos Estados Unidos. A convicção do crescimento sustentável cede espaço para um ritmo mais moroso. Estimativas apontam para uma expansão entre 1% e 2% em 2010.
"A economia americana manterá o crescimento abaixo da tendência natural até 2011, tendo em vista o patamar de 2,5% de expansão", avaliou Antônio Carlos dos Santos, professor do curso de economia internacional da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).
De acordo com Santos, se o PIB cresce abaixo do potencial, a recuperação não tem folego.
Amanhã (27) será divulgada a segunda estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre dos Estados Unidos. O consenso dos analistas mostra uma revisão negativa de 1 ponto percentual, passando a taxa de 2,4% para 1,4%.
Nesse sentido, o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Gala, afirma que é baixa a probabilidade do indicador apresentar um resultado negativo, uma vez que a economia americana se encontra em uma situação de semi-estagnação.
"As economias dos Estados Unidos e da Europa estão andando de lado, interromperam a recuperação", considera Gala, enfatizando que este processo é resultado do alto endividamento das famílias americanas.
Por sua vez, o professor da PUC aponta as dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho como responsáveis pela desaceleração da retomada econômica. E a solução para esse dilema parece não ser simples.
"A política monetária está em um patamar em que nada mais pode ser feito. A saída é a política fiscal, apesar do ambiente político para ampliar os gastos do governo não ser favorável", explicou o professor da PUC.
Atualmente, a taxa básica de juros dos EUA está fixada entre zero e 0,25% ao ano - menor patamar da história, mantido desde dezembro de 2008.
Quanto ao orçamento do governo americano, em julho deste ano, foi registrado déficit de US$ 165 bilhões, ante US$ 180,7 bilhões no mês anterior.
No entanto, Santos acredita que "é preciso se preocupar menos com o déficit fiscal".
Mercados
As bolsas dos Estados Unidos fecharam em queda nesta quinta-feira (26), com o índice Dow Jones abaixo de 10 mil pontos pela primeira vez desde o início de julho.
O mercado ficou na defensiva um dia antes de uma esperada revisão para baixo nos dados de crescimento do segundo trimestre e de um importante discurso do chairman do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke.
O Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, recuou 0,74%, para 9.985 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 1,07%, para 2.118 pontos. O índice Standard & Poor's 500 perdeu 0,77%, a 1.047 pontos.
No discurso que fará amanhã em Jackson Hole, Wyoming, Bernanke deverá debater as perspectivas incertas para a economia, mas não se espera que ele dê muitos indícios sobre se o Fed vai injetar mais dinheiro no sistema financeiro para manter a retomada em curso.
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