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Investimentos

Estratégia da TIM extrai lucro de velha desvantagem

Ivone Santana   (isantana@brasileconomico.com.br)
11/03/10 17:19


Luciani conquistou para sua carteira de chamadas interurbanas os nordestinos, que fugiam do custo alto do DDD pelo celular

Luciani conquistou para sua carteira de chamadas interurbanas os nordestinos, que fugiam do custo alto do DDD pelo celular

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Comunidade

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Ao enxergar o território brasileiro como mercado único, sem cobrar DDD de nordestinos, a operadora conquistou comunidades.

Há pouco mais de um ano na presidência da TIM Brasil, o italiano Luca Luciani não demorou muito para aprender a apreciar as belezas do Rio de Janeiro e para perceber algumas características do mercado brasileiro que poderiam reverter a retração da operadora frente às concorrentes.

A falta de uma operadora fixa no grupo, que impedia a oferta de pacotes convergentes, e a grande carteira de clientes pré-pagos, geralmente uma dor de cabeça para as empresas, davam um sabor amargo à operação italiana. Mas Luciani conseguiu transformar as desvantagens em pontos a favor.

Arrebanhou os usuários pré-pagos para seu serviço de longa distância, finalmente viabilizado por meio da consolidação da rede da Intelig, descobriu um potencial tráfego interurbano entre nordestinos, que coincidiu com a expansão da companhia no Nordeste, e redirecionou o pico da longa distância das 17h para as 22h, ao baixar o custo da ligação, sem limite de tempo.

"O nordestino tem uma grande comunidade no país", disse o executivo, durante visita ao Brasil Econômico. E foi com a presença desses migrantes nas regiões Sul e Sudeste que Luciani contou para ajudar a reposicionar o código 23 da Intelig, pois percebeu que esse público evitava usa DDD pelo celular, devido ao custo, para ligar pelo fixo à noite, por ser mais barato.

Percebendo a presença da comunidade, a empresa criou o plano Infinity por R$ 0,25 por chamada no Rio, sem tarifação por tempo, até os Jogos Olímpicos de 2016. Em seguida, incluiu a longa distância no pacote e cativou segmento.

Na concorrente Embratel uma ligação semelhante custava em média R$ 4 por 10 minutos ante R$ 0,25 na TIM. Em oito meses conquistou 9 pontos percentuais no mercado nordestino e espera mais 20% de crescimento em um ano. A comunidade conta com 20 milhões consumidores de uma carteira de 41 milhões de usuários.

Valorização do pré-pago

Se logo após a privatização do serviço móvel o pós-pago era considerado a jóia da coroa e o pré-pago era marginalizado, a situação hoje se reverteu. O mercado em geral aprendeu a valorizar o cliente pré, que oferece uma receita antecipada, sem risco de inadimplência, embora de fidelidade duvidosa.

Cada empresa procurou sua fórmula de rentabilidade. A Claro, por exemplo, tenta valorizar o pós-pago e aumentar a receita média por cliente. Para o presidente da TIM, a estratégia é outra.

"Tem o cliente pós-pago bom e o prático, aquele que só está na operadora para aproveitar o subsídio do aparelho. As operadoras acostumaram os clientes a trocar de operadora por causa do telefone. Nosso negócio é o serviço", afirma Luciani.

Segundo o executivo, a rentabilidade de um cliente pós-pago é cerca de 50% ou menos, enquanto no pré-pago é 85% ante 65% há um ano. Isso porque o pós-pago inclui o subsídio do celular, além de uma margem de inadimplência e de redução das receitas pelo uso de outras operadoras.

O executivo enfatiza que está mudando esse perfil. Vivo e Claro não têm a chance da mesma rentabilidade porque precisam preservar o código de longa distância, sem canibalizar receitas tradicionais.

Não é o caso da TIM. Ela pode baratear o interurbano e ainda sair ganhando. "Nosso negócio não é handset nem tarifa, mas sim a comunidade de clientes, o serviço."

Canibalismo da receita

Um ponto frágil da TIM era o fato de não ter uma operadora fixa com a qual pudesse fazer pacotes convergentes. Na verdade, só a Oi tem esta condição hoje.

A Vivo tem duas controladoras, Telefónica e Portugal Telecom, e à espanhola não interessa canibalizar a receita de longa distância pelo código 15.

A Claro depende da consolidação da Telmex (dona da Embratel) com a América Móvil. Enquanto isto, nenhuma delas consegue fazer ofertas convergentes.

"São monopolistas e no jogo delas seria canibalizar receita", diz Luciani.


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