Não há consenso nas estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 e do último trimestre do ano passado. Os dados serão divulgados amanhã (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Analistas e economistas têm opiniões variadas sobre o indicador. Enquanto o relatório Focus do Banco Central (BC), de 8 de janeiro, prevê recuo de 0,26% do PIB em 2009, especialistas do mercado apostam em quedas menores e os mais otimistas projetam alta de até 1% no índice.
Para o economista e professor de MBA da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Della Santina Torres, o país verá resultados positivos da economia no ano passado. "Acredito que não haverá queda no PIB anual, pelo contrário, estimo uma elevação de até 1%. O Brasil é um país que vive surpreendendo", destaca.
Torres ressalta ainda que a trajetória da economia nacional foi ascendente no ano passado e dá margem para o otimismo.
"Tivemos um primeiro trimestre ruim, com incertezas e receio do mercado. Com isso, os bancos restringiram crédito e a situação ficou comprometida. Já no segundo trimestre, os bancos federais e governamentais passaram a fomentar a economia. Além disso, foram tomadas medidas de incentivo, como a redução do IPI."
Segundo Torres, "no terceiro trimestre iniciou-se a possibilidade de retomada: os bancos particulares perceberam melhoria do cenário e voltaram a conceder crédito". "Por isso, acredito que o último período foi positivo, de consolidação da recuperação e pode até reverter a margem de crescimento negativa esperada para o ano."
Para o economista, três segmentos foram os principais responsáveis pela retomada: "acredito que o setor agrícola, o de construção civil e o automobilístico foram extremamente importantes para o país e a tendência é de melhora contínua".
Em 2008, o Brasil registrou crescimento de 5,1% no PIB, mesmo tendo encerrado o último trimestre com crescimento de apenas 0,8%.
Cautela
Menos otimista, porém confiante no desempenho da economia nacional, Thaís Marzola Vara, economista-chefe da Rosenberg e Associados, prevê recuo menor do que o estimado pelo mercado. "Acredito que a queda será de 0,10%, o que seria um número bom se comparado com a retração verificada em outros países. Apesar de negativo, demonstra certa estabilidade do Brasil ao lidar com as turbulências."
O presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Pedro Afonso Gomes, se aproxima da previsão do mercado. "Acredito que haja uma queda real do PIB, em relação a 2008, da ordem de 0,25%. Em parte, isso se deve ao realinhamento de preços (para baixo) do primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008, quando ainda não era conhecida a crise financeira mundial", explica.
Para o especialista, alguns fatores importantes conseguiram estancar uma queda maior. "A melhor distribuição de renda, com consequente inclusão de camadas antes excluídas do consumo de bens duráveis, e o crédito fácil e de longo prazo foram decisões rápidas e na direção certa, que conseguiram dar resposta às ameaças de crise."
Último trimestre
Os últimos três meses de 2009 marcaram a retomada da economia nacional. O mercado prevê alta de 4,5% no PIB do período, em comparação com o mesmo intervalo de 2008.
Para a economista da Rosenberg e Associados, o índice projetado deve ser alcançado. "O resultado do quarto trimestre foi puxado pela indústria, que, após ser o setor mais afetado pela crise financeira no início do ano, conseguiu terminar em expansão. A demanda pelo consumo e a formação de capital fixo contribuíram para o bom desempenho", analisa Thais.
O economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, também vê crescimento no período. "A aceleração do PIB advém dos investimentos, que devem ter crescido 10% ante o trimestre anterior, já considerando o dado dessazonalizado. O outro ponto é a recomposição de estoques. Alguns setores estavam com as reservas muito baixas no terceiro trimestre, notadamente o automotivo, dado que setembro foi o último mês de vigência das vendas com IPI reduzido."
O professor da BBS é mais contido quanto ao crescimento trimestral. "Aposto em algo na casa dos 4%, o que já é bastante para uma economia que amargou queda de 2,1% no primeiro trimestre do ano. É uma recuperação considerável."
O presidente do Corecon-SP destaca que é preciso estar atento ao período de comparação. "Os últimos quatro meses de 2008 foram o período de menor atividade, pela perplexidade e redução do crédito, por isso a base do PIB foi baixa, propiciando que no mesmo período de 2009 fosse notada elevação significativa", ressalta Gomes.
Expectativas
Para 2010, o otimismo é consenso e a previsão de crescimento do PIB chega a 7%, valor superior aos 5,5% estimados no último relatório Focus do BC, de 5 de março.
"Há muitas variáveis, nem sempre de ordem econômica, de previsão difícil, mas estimo um crescimento do PIB em torno de 7% para este ano. Sempre lembrando que estamos falando de uma base baixa em 2009", destaca o presidente do Corecon-SP.
"Mais importante é que os agentes econômicos já estão pensando no longo prazo. É um fenômeno de ao menos quatro anos, interrompido por conta da crise financeira em 2008, e que já foi retomado. Com isso, a preocupação com indicadores apenas financeiros, que usam a lógica do curto e do curtíssimo prazo, deve diminuir, voltando-se a cogitar sobre o futuro do Brasil, o país para as novas gerações", enfatiza Gomes.
A economista da Rosenberg e Associados aposta em crescimento de 5% e o professor da BBS prevê 6% de alta no PIB nacional para este ano. "O Brasil é a vedete do momento no mercado internacional e temos muito para mostrar", finaliza Santina.

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