Disputa por ativos da Cimpor é mostra do acelerado movimento de internacionalização de empresas brasileiras
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Número de transações fechadas nos dois primeiros meses do ano cresce 51% e encosta nas 105 concretizadas em 2008.
A crise financeira que atingiu o mundo parece ter ficado para trás para a indústria de fusões e aquisições. O número de transações concluídas no primeiro bimestre do ano indica não apenas recuperação em relação ao ano passado, mas a volta ao ritmo acelerado de negócios registrado entre 2007 e 2008, período em que as empresas brasileiras foram às compras com maior apetite.
Nos dois primeiros meses de 2010, aconteceram 98 operações envolvendo empresas do país, volume 51% superior às transações fechadas no mesmo período do ano passado.
No entanto, o que mais anima especialistas é o fato de o número superar os 81 negócios realizados no primeiro bimestre de 2007 e encostar nos 105 do ano posterior.
"O início de 2009 não deve ser tomado como referência, pois estávamos vivendo a fase mais aguda da crise mundial. Os grandes investidores estavam retraídos. Mas quando comparamos os dados atuais com o período anterior à crise, dá para dizer que o mercado se recuperou de forma consistente", afirma Alexandre Pierantoni, sócio da área de finanças corporativas da PricewaterhouseCoopers, responsável pelo levantamento.
Isoladamente, o mês de fevereiro, tradicionalmente menos ativo no Brasil por seus feriados, teve 37 transações. Em 2009, foram 27. "Está muito claro neste início de ano que os investidores estão buscando se posicionar no país. O momento é agora, pois o custo de oportunidade deve se tornar maior rapidamente", nota Pierantoni.
Empurrãozinho
As duas principais fontes de financiamento das compras são o mercado de capitais e os fundos de private equity. Juntos, segundo o relatório da Price, participaram de 83% das transações fechadas ao longo do bimestre. "As empresas listadas conseguem levantar recursos com ofertas de ações e por instrumentos de dívida", diz .
O especialista explica que, no caso dos fundos de private equity, o reforço também tem relação com o bom momento do mercado acionário.
"Muitos deles haviam aproveitado a baixa das ações na crise, aguardaram a valorização dos papéis e agora estão saindo. Esse dinheiro vai gerar novas aquisições", aposta.
O setor de alimentos - com 14% dos negócios no bimestre -, seguido pelos de química e tecnologia da informação, cada um deles com 11% das operações, foram os destaques.
"Há dois movimentos: o de consolidação interno e o de internacionalização", diz Pierantoni, citando a compra, por Camargo Corrêa e Votorantim, de fatias da cimenteira portuguesa Cimpor.
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