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Ricardo Galuppo

Empresários ousados, bancos conservadores

11/03/10 07:22 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



Em viagem pelos Estados Unidos na semana passada, o presidente da TIM, Luca Luciani, ficou impressionado com o nível de informação e com a visão positiva dos investidores americanos sobre o Brasil.

Com a autoridade de principal gestor de uma companhia cujos títulos alcançaram uma valorização de 138% na Bolsa de Nova York ao longo do ano de 2009, Luciani esteve reunido com representantes de cerca de 20 dos principais fundos do mundo.

"Em nenhum momento falou-se em ‘risco Brasil' ou qualquer coisa parecida", diz ele. Das conversas que teve, a conclusão foi a seguinte: o clima de otimismo em relação ao país parece ter contagiado o mundo inteiro.

E um dos pontos que mais chamam a atenção é o das diferenças do modelo brasileiro na comparação com o de outros países. 

O que gerou a crise americana, por exemplo, foi a combinação perigosa do otimismo exagerado do sistema financeiro com sua ciranda de derivativos, somados ao grande conservadorismo e à falta de investimentos do sistema industrial.

No Brasil, ao contrário, percebe-se um grande otimismo no sistema industrial e uma intensa expansão de negócios gerada pela inclusão de um grande contingente de consumidores ao mercado. E, aliado a isso, um sistema financeiro mais cauteloso, que nunca se arriscou em derivativos ou outras operações mais ousadas.

Com essa equação, o risco de haver um abalo sério é infinitamente menor.
Essa é, sem dúvida, uma visão original sobre o atual momento de otimismo vivido pela economia brasileira.

Aqui, ao contrário do que houve nos Estados Unidos, onde imóveis eram dados como garantia para financiamentos que superavam várias vezes seu valor, os bancos sempre foram criteriosos na hora de conceder crédito. A ponto de o governo, quando quis estimular a economia, praticamente ter forçado as instituições a financiar bens de consumo duráveis.

Conclusão: com bancos cautelosos e empresários ousados, o país tem mais chances de se tornar uma das cinco maiores economias do mundo.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


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