Muitas são as mudanças em curso na educação mundial e brasileira. Aumento da carga horária - período integral ou semi-integral; qualificação dos professores; estabelecimento de critérios meritocráticos de remuneração; melhoria na gestão das escolas.
Nenhum deles, no entanto, terá tanto poder e impacto no resultado da aprendizagem do que o movimento em defesa do ensino centrado no aluno.
Essa modalidade, que respeita as características cognitivas e os estilos de aprendizado de cada aluno individualmente, ressurge no cenário educacional após séculos de abandono.
Ela havia sumido desde a revolução industrial, em virtude da necessidade de padronização do processo de ensino visando atender a um maior número de estudantes ao mesmo tempo - uma adaptação do modelo industrial de produção aplicado à educação.
Há algumas décadas educadores e pesquisadores procuram alertar o mundo para a necessidade da retomada do modelo centrado no atendimento às peculiaridades de cada um.
No entanto, ninguém encontrava um meio de viabilizar financeiramente tal modalidade, uma vez que o atendimento individual exige muito mais tempo e qualificação do professor.
A universalização do acesso aos computadores e à internet, bem como a produção compartilhada de conhecimento, abriram caminho para a retomada das discussões sobre o assunto, mostrando como viabilizar a retomada do modelo um a um.
De outro lado, o estado da arte na área da educação já vinha mostrando a necessidade de se respeitar o estilo cognitivo de cada um. As múltiplas inteligências de Gardner, as competências de Perrenaud, as janelas da oportunidade e as descobertas da neuroeducação, entre outros, já apontavam claramente o rumo dos modelos pedagógicos do futuro.
Muitos especialistas acreditam que com o rápido crescimento das tecnologias da informação e comunicação que ocorre atualmente, já estaríamos prontos para viabilizar financeiramente, em larga escala, o modelo da aprendizagem centrada no aluno. Esquecem no entanto que ainda não vencemos o maior obstáculo de todos - a formação docente.
Em minha opinião, ainda teremos de esperar uma nova geração de professores, nascidos na era da internet, que cresceram conectados e interligados ao mundo em redes sociais e, portanto, com um modelo mental aberto a este novo mundo, para somente então conseguirmos mudar o modelo educacional monolítico vigente.
Até lá continuaremos a colecionar notícias da imprensa que nos mostram escolas proibindo o acesso a redes sociais em seu campus; professores exigindo que o aluno desligue seu notebook em aula; docentes fazendo do combate ao plágio na internet sua plataforma moral de autopromoção; educadores rotulando de hiperativas crianças que não têm paciência de aguentar, passiva e disciplinadamente, quatro horas por dia de monólogo pouco motivador.
Enfim, ainda há muito a mudar até que o aprendizado efetivo se estabeleça em nossas lides educacionais.
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Ryon Braga é presidente da Hoper Educação
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Estamos na era da Escola para todos, na verdade na contra-mão dela. O que tenho visto. è sala de aulas abarrotadas, e professores perdidos em seu campo de batalha. Seguros de que estão dando oseu melhor e que o defeito está no aluno. Enquanto nós da Educação não nos conscientizarmos de que o nosso despreparo e quem tem causado tédio e desânimo nestes allunos,não poderemos mudar tal sitação,por isso me agradei tanto do artigo.