Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Ryon Braga

Em defesa do ensino centrado no estudante

20/03/10 07:09 | Ryon Braga - Presidente da Hoper Educação



Muitas são as mudanças em curso na educação mundial e brasileira. Aumento da carga horária - período integral ou semi-integral; qualificação dos professores; estabelecimento de critérios meritocráticos de remuneração; melhoria na gestão das escolas.

Nenhum deles, no entanto, terá tanto poder e impacto no resultado da aprendizagem do que o movimento em defesa do ensino centrado no aluno.

Essa modalidade, que respeita as características cognitivas e os estilos de aprendizado de cada aluno individualmente, ressurge no cenário educacional após séculos de abandono.

Ela havia sumido desde a revolução industrial, em virtude da necessidade de padronização do processo de ensino visando atender a um maior número de estudantes ao mesmo tempo - uma adaptação do modelo industrial de produção aplicado à educação.

Há algumas décadas educadores e pesquisadores procuram alertar o mundo para a necessidade da retomada do modelo centrado no atendimento às peculiaridades de cada um.

No entanto, ninguém encontrava um meio de viabilizar financeiramente tal modalidade, uma vez que o atendimento individual exige muito mais tempo e qualificação do professor.

A universalização do acesso aos computadores e à internet, bem como a produção compartilhada de conhecimento, abriram caminho para a retomada das discussões sobre o assunto, mostrando como viabilizar a retomada do modelo um a um.

De outro lado, o estado da arte na área da educação já vinha mostrando a necessidade de se respeitar o estilo cognitivo de cada um. As múltiplas inteligências de Gardner, as competências de Perrenaud, as janelas da oportunidade e as descobertas da neuroeducação, entre outros, já apontavam claramente o rumo dos modelos pedagógicos do futuro.

Muitos especialistas acreditam que com o rápido crescimento das tecnologias da informação e comunicação que ocorre atualmente, já estaríamos prontos para viabilizar financeiramente, em larga escala, o modelo da aprendizagem centrada no aluno. Esquecem no entanto que ainda não vencemos o maior obstáculo de todos - a formação docente.

Em minha opinião, ainda teremos de esperar uma nova geração de professores, nascidos na era da internet, que cresceram conectados e interligados ao mundo em redes sociais e, portanto, com um modelo mental aberto a este novo mundo, para somente então conseguirmos mudar o modelo educacional monolítico vigente.

Até lá continuaremos a colecionar notícias da imprensa que nos mostram escolas proibindo o acesso a redes sociais em seu campus; professores exigindo que o aluno desligue seu notebook em aula; docentes fazendo do combate ao plágio na internet sua plataforma moral de autopromoção; educadores rotulando de hiperativas crianças que não têm paciência de aguentar, passiva e disciplinadamente, quatro horas por dia de monólogo pouco motivador.

Enfim, ainda há muito a mudar até que o aprendizado efetivo se estabeleça em nossas lides educacionais.

----------------------------------------------------------

Ryon Braga é presidente da Hoper Educação


Comentários

Rosemir Gonçalves de Abreu, Rio de Janeiro | 23/05/10 18:48
Estamos na era da Escola para todos, na verdade na contra-mão dela. O que tenho visto. è sala de aulas abarrotadas, e professores perdidos em seu campo de batalha. Seguros de que estão dando oseu melhor e que o defeito está no aluno. Enquanto nós da Educação não nos conscientizarmos de que o nosso despreparo e quem tem causado tédio e desânimo nestes allunos,não poderemos mudar tal sitação,por isso me agradei tanto do artigo.


Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA