Para Luis Otávio Leal, Banco Central parece apostar na ajuda do cenário externo combalido para controlar pressões nos preços
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Prevista para os dias 31 de agosto e 1º de setembro, a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem feito economistas realçarem um exercício tradicional nas perspectivas.
Não basta traçar uma decisão com base em premissas pessoais, é preciso ler os dados pensando no viés do BC. Nessa equação, as análises consultadas pelo Brasil Econômico caminham na mesma direção: o Copom deve manter o juro básico da economia em 10,75% ao ano, embora os riscos permitissem continuidade do aperto.
"Continuo achando que era preciso fazer algo, mas a probabilidade maior é de que vai parar", opina Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil.
Para ele, o BC está apostando que a fraqueza do setor externo irá contaminar os preços dos produtos importados, amortecendo pressões vindas da dinâmica interna. "É uma aposta arriscada", afirma.
Depois de subir a Selic em 0,75 ponto percentual em abril e em junho, o colegiado abrandou o ritmo de alta na última reunião, para 0,50 ponto.
Conforme percebeu o Citi, na comunicação com o mercado, o BC reforçou um foco nos dados correntes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho ficou praticamente estável, com variação de apenas 0,01%.
O último relatório Focus mostrou que não haverá mais mudanças na taxa. Novo recuo nas estimativas levou-a para 10,75%.
"No nosso ponto de vista, há uma certa distorção do exercício de política monetária, que deveria olhar mais para frente", alerta Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating, para quem o BC deveria elevar a referência em 0,50 ponto.
"Inclusive porque eliminaria a necessidade de subir juros em 2011, em meio à mudança de governo".
Bernardo Wjuniski, da Tendências, faz coro com a ala mais conservadora entre os analistas, e aposta em aumento de 0,50. Pesou a subida das expectativas da inflação para 2011.
"O Copom costuma ser sensível a isso". O desemprego medido pelo IBGE recuou para 6,9% em julho, seguindo em mínima histórica e indicando potencial de inflação vindo dos salários.
Ricardo Torres, professor de Finanças da Brazilian Business School, discorda: "não vejo explosão do consumo. Muita gente está usando salário maior para quitar dívidas anteriores."

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