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Análise

Economistas veem freada nos juros, mas querem nova alta

Conrado Mazzoni   (cmazzoni@brasileconomico.com.br)
27/08/10 14:19


Para Luis Otávio Leal, Banco Central parece apostar na ajuda do cenário externo combalido para controlar pressões nos preços

Para Luis Otávio Leal, Banco Central parece apostar na ajuda do cenário externo combalido para controlar pressões nos preços

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Prevista para os dias 31 de agosto e 1º de setembro, a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem feito economistas realçarem um exercício tradicional nas perspectivas.

Não basta traçar uma decisão com base em premissas pessoais, é preciso ler os dados pensando no viés do BC. Nessa equação, as análises consultadas pelo Brasil Econômico caminham na mesma direção: o Copom deve manter o juro básico da economia em 10,75% ao ano, embora os riscos permitissem continuidade do aperto.

"Continuo achando que era preciso fazer algo, mas a probabilidade maior é de que vai parar", opina Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil.

Para ele, o BC está apostando que a fraqueza do setor externo irá contaminar os preços dos produtos importados, amortecendo pressões vindas da dinâmica interna. "É uma aposta arriscada", afirma.

Depois de subir a Selic em 0,75 ponto percentual em abril e em junho, o colegiado abrandou o ritmo de alta na última reunião, para 0,50 ponto.

Conforme percebeu o Citi, na comunicação com o mercado, o BC reforçou um foco nos dados correntes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho ficou praticamente estável, com variação de apenas 0,01%.

O último relatório Focus mostrou que não haverá mais mudanças na taxa. Novo recuo nas estimativas levou-a para 10,75%.

"No nosso ponto de vista, há uma certa distorção do exercício de política monetária, que deveria olhar mais para frente", alerta Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating, para quem o BC deveria elevar a referência em 0,50 ponto.

"Inclusive porque eliminaria a necessidade de subir juros em 2011, em meio à mudança de governo".

Bernardo Wjuniski, da Tendências, faz coro com a ala mais conservadora entre os analistas, e aposta em aumento de 0,50. Pesou a subida das expectativas da inflação para 2011.

"O Copom costuma ser sensível a isso". O desemprego medido pelo IBGE recuou para 6,9% em julho, seguindo em mínima histórica e indicando potencial de inflação vindo dos salários.

Ricardo Torres, professor de Finanças da Brazilian Business School, discorda: "não vejo explosão do consumo. Muita gente está usando salário maior para quitar dívidas anteriores."


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