Se por um lado é unânime a percepção de que a taxa básica de juros será mantida até o fim de 2009, por outro há divergências sobre o desempenho da Selic em 2010.
A maioria dos especialistas consultados pelo Brasil Econômico On-line prevê elevações na Selic a partir do próximo ano. Entretanto, os agentes de mercado ainda se questionam sobre o grau das ascensões e o período em que isso ocorrerá.
Álvaro Bandeira, economista-chefe da Ágora Corretora, acredita que as primeiras elevações deverão ocorrer entre o final do primeiro trimestre de 2010 e início do segundo. Vale lembrar que as três primeiras reuniões do próximo ano ocorrerão em 26 e 27 de janeiro, 16 e 17 de março e 27 e 28 de abril.
"Acredito que a Selic irá encerrar o ano de 2010 com uma taxa de 10,75%, mas de quanto serão estas elevações é difícil dizer: tudo irá depender da pressão inflacionária", explica.
Fernando Fix, da Votorantim Asset, estima que a curva de juros futuros já está "precificando" uma elevação de quatro pontos percentuais na Selic.
"Muitos economistas já estão prevendo uma elevação no início do ano, mas não compartilho desta previsão: isso seria uma decisão precipitada e inconsistente", afirma.
Assim sendo, ele aposta que a primeira elevação na taxa de juros acontecerá na reunião de 8 e 9 de junho.
Fix afirma ainda que serão cinco elevações consecutivas de 0,5 ponto percentual, o que fará com que, na última reunião de 2010, em 7 e 8 de dezembro, a Selic chegue a 11,25% ao ano.
"As elevações ocorrerão porque não existem riscos inflacionários para 2010, apenas para o ano seguinte. O nível de atividade estará mais alto e devemos parar de ver uma contribuição positiva do câmbio. Além disso, as tarifas públicas em 2011 deverão voltar a subir por conta do final do período das eleições", completa o economista.
Cristiano Souza, economista do Santander, aposta que a primeira elevação ocorrerá na reunião de 20 e 21 de julho. "Será preciso controlar a velocidade do crescimento econômico para ter domínio sob a inflação", afirma o especialista, que prevê uma taxa Selic de 10,75% no final de 2010 e 11,50% no encerramento de 2011.
Bráulio Borges, da LCA Consultores, acredita que as elevações terão início no segundo semestre de 2010. Ele alerta que, caso a atividade econômica se acelere demais nos primeiros meses do ano, será possível que o colegiado tome a decisão de elevar a Selic antes do previsto.
"Mas as possibilidades disso ocorrer ainda são remotas. Realmente acredito que a taxa será mantida durante grande parte do ano, já que o câmbio deverá ajudar no combate a inflação", completa o economista, que prevê que o "perigo" estará concentrado em 2011, após a Selic encerrar o próximo ano em exatos 10%.
A decisão do Copom será divulgada amanhã (21), logo após o fechamento do mercado.
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Por mais que o Bacen seja teoricamente independente, o ano de 2010 é eleitoral e isto será refletido nas decisões sobre a taxa básica de juros. Antes do povo escolher o próximo presidente, a taxa de juros com certeza não voltará a ter dois dígitos. Portanto, a taxa máxima para 2010 será de 10%, o que se acontecer, será definido apenas na última reunião do Copom no referido ano.