Um fenômeno que pode ser visto como subproduto preocupante do favoritismo da candidata Dilma Rousseff nas próximas eleições já começou a se manifestar entre as forças que a apoiam, conforme aponta a reportagem publicada na edição impressa de hoje do Brasil Econômico.
Faltando um mês para o primeiro turno, políticos do PT e do PMDB abriram disputa pelos cargos mais cobiçados entre as centenas de postos que o governo federal tem para distribuir aos aliados.
No topo da lista, claro, está a presidência e as diretorias da Petrobras - sobretudo aquelas que, na definição inesquecível do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, "furam poço e acham petróleo".
O medo é de que as diretorias mais técnicas sejam loteadas entre os partidos, o que seria um desastre.
A impressão é a de que os aliados de primeira hora, temendo que a demanda sobre os cargos seja maior do que se supunha dois meses atrás, tenham resolvido se mover para proteger aquilo que julgam seu por direito.
O alvo se justifica: a confirmação do potencial do pré-sal transformou a Petrobras numa das empresas mais cobiçadas do mundo - e não faltam motivos para se pretender ter alguma influência sobre ela.
O que não se justifica, nem agora nem depois, é que os cargos federais se transformem em objeto de disputa pública, como se seu preenchimento dependesse da pressão dos aliados, e não da vontade do (ou da) presidente eleito(a).
Ninguém escolhe cargos num governo com autoridade. Quem os ocupa é porque foi escolhido.
Ninguém ousou, nas duas vezes em que Lula se elegeu presidente, abrir uma disputa por cargos um mês antes das eleições.
Ninguém esboçou gesto semelhante às vésperas das duas eleições de Fernando Henrique Cardoso. Muito ajudaria à imagem da candidata Dilma Rousseff se ela cortasse o mal pela raiz e desautorizasse qualquer discussão nesse sentido.
Do contrário, daria a impressão, caso confirme seu favoritismo e chegue ao Planalto, de que não tem sobre o grupo heterogêneo que a apoia a mesma autoridade Lula.
A consolidação dessa imagem seria extremamente prejudicial a seu eventual governo. E, caso ela realmente vença, péssimo para o país.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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