Artesãs de Santa Luzia do Itanhy, em Sergipe, que participam do projeto Cultura em Foco
Comunidade
Programa do Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação leva padrão de luxo a artesanato sergipano com foco em exportação.
Desanimados com o ritmo de aplicação da pesquisa acadêmica, um grupo de profissionais de diversas áreas decidiu provar que é sim possível colocar em prática as teorias defendidas no meio universitário e com elas provocar mudanças sociais.
Foi assim que nasceu em 2003 o Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI), uma instituição privada que se utiliza da ciência, da tecnologia e da inovação para promover o desenvolvimento econômico e social de comunidades pobres no país.
A ideia original era trabalhar com projetos que funcionassem como alternativas e até mesmo portas de saída para os programas assistenciais do governo federal, como o Bolsa Família. Para isso, os fundadores da entidade não hesitaram em mudar até de endereço, deixando o confortável centro de São Paulo por uma pequena cidade em Sergipe, Santa Luzia do Itanhy. É lá que colocam em prática um projeto que envolve economia criativa, educação e saúde para promover o desenvolvimento.
O programa, batizado de Cultura em Foco, é realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e visa conseguir aumento da ocupação e renda e garantir a autossustentabilidade das atividades praticadas pelos artesãos de Santa Luzia do Itanhy, qualificando a produção artesanal com base na valorização dos elementos culturais da região.
E isso não tem a ver com produção de chaveirinho ou brinco de feira de artesanato hippie, esclarece Renata Piazzalunga, diretora presidente e co-fundadora do IPTI, pesquisadora responsável pela linha de projetos relacionados à economia criativa.
A metodologia proposta em Santa Luzia é o modelo de inclusão empreendedora, que partiu do levantamento do patrimônio material e imaterial da região e da coleta de dados sobre indicadores de resultados e impactos do projeto.
"Foram oito meses de pesquisa para analisar qual o tipo de artesanato que existia no local e percebemos que, na verdade, as comunidades só trabalhavam com manualidades, que são atividades repetitivas sem valor econômico", conta Renata.
As fibras vegetais, abundantes na região, foram escolhidas para dar início ao processo de transformação artesanal. O resultado, dois anos após o início do programa, é o que Renata chama de "produto de design brasileiro com técnicas artesanais".
Persianas, luminárias, jogos americanos, todos de fibras variadas, juntamente com produtos de tecidos artesanais de fuxico (técnica que aproveita restos de tecido para criar e customizar roupas, acessórios e objetos, em formato parecido com o de uma flor), fazem parte do catálogo de produtos oferecidos na loja própria Fellicia e tem como foco o público das classes A e B.
"São produtos de design que conservam técnicas artesanais com rigor e identidade próprias, assim como as marcas de luxo Hermès e Louis Vuitton", compara Renata, cuja intenção é exportar o artesanato para Europa e Estados Unidos.
A parceria com o BID acaba em novembro, mas o IPTI já desenvolve outros projetos na região em linha com o plano de desenvolvimento regional. Ações de educação, saúde e turismo integram o projeto, cujo modelo foi exportado pelo BID para outras regiões.
E para provar que o trabalho em Santa Luzia não é só de passagem, o IPTI vai construir no local um Centro Educacional Tecnológico, para o qual espera receber recursos de R$ 3,8 milhões via Lei Rouanet.
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