Silvana Machado, vice-presidente da A.T. Kearney: corretoras com baixo volume de operações encontrarão dificuldades para sobreviver
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Consolidação passa por fusão entre menores, que, num segundo momento, se tornam alvo de aquisição, indica A. T. Kearney.
Os holofotes sobre a bolsa brasileira trazem boas perspectivas para o mercado de corretoras de valores, mas tornam mais difícil a tarefa de se destacar em meio à massa.
Diante do filão investidor pessoa física, cada casa procura identificar uma vocação. Mas a maior parte, ao fim das contas, se posiciona como "multissegmento".
Para ganhar escala e investir no negócio, a onda de consolidação iniciada com a desmutualização da BM&F e da Bovespa não terminará tão cedo, dando-se em duas vertentes. De um lado, as menores protagonizando fusões. As maiores, do outro, entrando no radar de aquisições.
"Com as fusões, as corretoras independentes ganham fôlego e evidência no mercado para, mais tarde, serem adquiridas", afirma o gerente de projetos da A. T. Kearney, Daniel Cunha.
Ele e a vice-presidente da consultoria, Silvana Machado, desenvolveram estudo sobre o mercado de corretoras exclusivo para o Brasil Econômico.
"Observando o ranking de volumes negociados, percebe-se que eles caem muito da 20ª corretora para baixo. Da metade em diante, é difícil sobreviverem", constata Silvana.
Considerando especificamente as operações de home broker - que representam aproximadamente 35% dos negócios no segmento Bovespa -, a combinação entre taxa de rentabilidade obtida por real operado no primeiro semestre de 2009 (últimos dados disponíveis) e número de negócios coloca poucas corretoras na condição de alvos de aquisição.
Os números de casas como a Título, a Banif, a Tov e a Alpes, na avaliação da A. T. Kearney, poderiam despertar o interesse de compradores. Corretoras como Ágora, Bradesco e Itaú também têm números interessantes, mas por pertencerem a conglomerados financeiros, dificilmente seriam adquiridas.
Fusões
A maior parte das corretoras voltadas à pessoa física ainda não possui uma relação de volume e rentabilidade suficientemente atrativa para potenciais compradores.
Neste grupo, portanto, concentram-se oportunidades de fusão, na análise da A. T. Kearney - a exemplo da associação entre Theca e Planner, firmada em agosto passado.
São casas como XP, Ativa, Socopa, Um Investimentos, Solidez, Spinelli, Link, Gradual, Concórdia, Fator e outras. "Muitas corretoras independentes têm investido parte da rentabilidade agora para conseguir escala no longo prazo. Apostam no ‘boom' da pessoa física na bolsa", diz Cunha, ressaltando que a análise considera apenas os números das corretoras, e não a disposição dos proprietários de negociá-las.
A Gradual, por exemplo, afirma ter outras prioridades antes qualquer movimento de negociação. "Nossa vocação é crescer, ampliando nossa rede de distribuição presencial pelo país", afirma o diretor Marcelo Smarrito.
Mas ele acredita que a onda de consolidação se intensificará, com quem concorda o sócio da Coinvalores, Paulino Botelho. "Mais fusões devem acontecer. Não é simples estar neste mercado", diz, destacando não ter intenção de se desfazer do seu negócio.

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