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Ricardo Galuppo

Compromisso com o atraso

03/03/10 07:22 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



É aquele tipo de história sem pé nem cabeça apresentada por pessoas que insistem em ignorar a realidade. Está em discussão no Conselho Nacional de Educação - um órgão que conta com representantes do governo, de professores, de pais e de funcionários das escolas - um desses planos aparentemente ousados cuja finalidade exclusiva acaba sendo a de espalhar a ideia de que nada no Brasil dá certo.

Plano semelhante foi apresentado no final do governo Fernando Henrique Cardoso - mas atravessou os oitos anos dos mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva adormecidos em alguma gaveta oficial.

Agora que um novo governo está para ser eleito, os mesmos "representantes da sociedade civil" se preparam para apresentar uma nova versão do texto.

No plano anterior (o que não chegou a ser posto em prática), estava prevista a destinação de um valor equivalente a 7% do PIB para as escolas públicas. Agora, esse percentual será aumentado para 10%. De onde vai sair o dinheiro?

Ninguém sabe, ninguém viu no "novo" Plano Nacional de Educação qualquer dispositivo que aponte a origem dos recursos.

O projeto prevê, ainda, ampliar a discutível (e segregacionista) política de cotas para além dos percentuais praticados atualmente. Além disso, ficará estabelecido que a verba destinada à escola pública só poderá ser utilizada pela escola pública - o que, na prática, representaria o fim do Prouni, um dos mais bem-sucedidos programas de universalização do ensino já postos em prática no país.

O projeto que submeterá pérolas como essas à aprovação do Congresso Nacional prevê, ainda, que nada do que for decidido pelos "representantes da sociedade civil" poderá ser vetado pelo presidente da República. Ou seja, querem que o(a) próximo(a) governante do país acate o que for decidido e ponto final.

Ou seja: se o projeto passar pelo Congresso como está, servirá, no mínimo, de um instrumento de pressão que poderá transformar o próximo governo num inferno.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


Comentários

jaderdavila the small shareholder , sao paulo | 03/03/10 14:15
educaçao no brasil é um mundo fechadinho dentro de si mesmo, sem contato com a realidade.
quando um moleque sai pro mundo, com um diploma de segundo grau da escola publica, ele nao sabe fazer nada no mundo de ganhar dinheiro.
e sai bem entupido das ideias de que é pros outros dar coisa em troca de nada
pra ele, só porque ele é negro, indio, cor de abobora ou verde.
escola do senai nunca pregou revoluçao e nem faz reivindicaçao nenhuma, quem está ali quer é ganhar dinheiro.
o lula que tem conhecimento de escola zero, mas é inteligente pra caramba, está cercado dessa turma, que nao deixa ele sequer pensar a respeito. justo ele que percebeu que escola é conversa fiada e pulou fora. pra aprender oque realmente interessava pra ele: como chegar no poder e permanecer la.
nao vejo como essa situaçao possa mudar num futuro proximo. nossa sorte é que existe todo um brasil nao oficial, que percebeu isso e partiu pra produzir,
contra tudo e contra todos.


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