Neste mês, o lucrativo mercado de cartões, que contabiliza 592 milhões de unidades emitidas e cresce no Brasil cerca de 20% ao ano, passou por uma mudança importante.
As credenciadoras Cielo e Redecard vão aceitar, nas mesmas máquinas, os concorrentes Visa e Mastercard, que representam 85% das operações com cartões no país.
A mudança abre espaço para uma nova era de competitividade, e quem ganha é o cliente, que poderá usufruir de mais tecnologias, comodidade e vantagens econômicas, como diminuição de taxas. Para o lojista, a "guerra por clientes" também é positiva. Ele vai economizar, porque terá um só terminal.
Os protagonistas dessa competição também sairão ganhando. Se por um lado exigirá energia e perseverança, por outro, traz experiência e novas habilidades para os funcionários. Ingressar num processo de busca da competitividade, em qualquer setor, é tarefa árdua e um grande desafio.
Por isso, muitas companhias acabam se entregando ao comodismo e à estagnação. Diversos fatores influenciam nesse processo, entre eles comprometimento, mercado, inovação, estrutura e gestão.
O comprometimento leva os funcionários a compartilharem a visão, a missão e o propósito da empresa; a aderirem às suas políticas, estratégias e metas.
Conhecer o mercado, saber suas nuances, é outra condição para se ter objetivos realistas e bem definidos. Inovação é fundamental para diferenciar produtos, serviços e marcas. E por fim, mas não menos importante, é ter estrutura e gestão empresariais que permitam a empresa ser competitiva.
A empresa que estiver atenta, souber planejar uma estratégia adequada, implantá-la, dirigir a execução, fazer um controle criterioso e aplicar as intervenções nos pontos exatos tende a vencer.
No entanto, escolher as pessoas certas e colocá-las nos lugares certos é a principal garantia para uma estratégia bem-sucedida. Nessa hora, o capital humano da empresa tem um valor inestimável - ele nunca pode ser descuidado.
E com o mercado globalizado e consumidores cada vez mais exigentes, as empresas precisam se destacar pela criatividade. Isso significa desenvolver novas idéias, observar os problemas sob nova perspectiva, ou seja, não se limitar a métodos e ideias ultrapassados.
Este é um risco, pois o nosso cérebro organiza a informação sempre da mesma forma, porque desde cedo somos educados a manter padrões sem questioná-los. No entanto, o cérebro pode formular novos modelos, utilizando a intuição e outros recursos.
Daí surge a criatividade, associada à capacidade de descobrir problemas, à agilidade mental, à aceitação de riscos e à motivação própria de cada um.
A competitividade, aliada à inovação, é um processo necessário, mas que precisa ser administrado corretamente, de modo a virar cultura e modelo de gestão. A busca pela competitividade pressupõe a consciência estratégica de empresários e políticos de querer ser o melhor por fazer diferente.
Esta máxima corporativa vale para todos, setores privado e público e organizações não governamentais. Mover-se estrategicamente é um esforço deliberado e exige coragem e empenho.
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Marcelo Mariaca é presidente do Conselho de Sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School
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