Os números consolidados das 100 maiores empresas por valor de mercado, referentes ao segundo trimestre do ano, mostram que a dívida bruta cresceu 28%
Comunidade
Os indicadores financeiros da última temporada de balanços trimestrais das empresas com ações negociadas na BM&F Bovespa conspiram a favor do momento positivo da economia brasileira.
Um levantamento elaborado a partir de dados da Economatica confirma a sintonia.
As companhias aumentaram o nível de endividamento para ampliar a capacidade e atender à demanda vigorosa, sobretudo dos setores voltados ao mercado interno. Simultaneamente, a geração de caixa cresceu, permitindo um panorama saudável das finanças.
Os números consolidados das 100 maiores empresas por valor de mercado, referentes ao segundo trimestre do ano, mostram que a dívida bruta cresceu 28% na comparação com igual período em 2009.
Na mesma direção, o caixa (disponibilidades mais investimentos de curto prazo) avançou cerca de 38% nessa mesma base comparativa. Os analistas consultados pelo Brasil Econômico entendem ser esse um quadro de endividamento com boa finalidade.
"No meu ponto de vista, de uma maneira geral, o empresário aumentou um pouco o endividamento dentro de um processo saudável da economia crescendo. Nesse cenário, a empresa capta recursos via ações ou emitindo dívida, além do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e aumenta suas plantas. É um processo saudável no Brasil, no contexto de expansão da capacidade produtiva", comenta André Gordon, sócio-fundador e gestor das carteiras da GTI Investimentos.
O estrategista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi, também enxerga tal comportamento como saudável. "Houve uma retração de crédito durante a crise e agora a demanda voltou com força. As empresas dos setores empenhados no mercado interno, por sua vez, estão correndo atrás", acredita.
As conclusões de uma leitura minuciosa comprovam a tendência. Chama atenção as empresas em movimento pleno de consolidação, caso dos frigoríficos JBS e Marfrig e da Hypermarcas.
Os analistas, porém, não veem risco ao maior nível de endividamento da fabricante de bens de consumo, decorrente das aquisições realizadas ao final do ano de 2009 e início de 2010, dada a sua força da geração de caixa. Do mesmo modo, equacionar a alavancagem dos frigoríficos depende da continuidade do salto operacional, conforme ocorrido no último trimestre.
Outro setor com dinâmica interessante é o imobiliário, notadamente na pesquisa os nomes de PDG Realty, MRV e Rossi. "As incorporadoras ainda estão numa fase de maturação de investimento, ainda não geram caixa positivo. É um setor que está chegando perto do máximo do patamar de endividamento. As empresas agora começam a receber caixa do que lançaram há três anos e isso tende a estabilizar o nível de dívida", detalha Gordon, da GTI.
Com a melhora no denominador geração de caixa, surge a oportunidade de prolongar o perfil do endividamento. Foi o que fez a Rossi, cuja dívida de longo prazo em junho representava 73%, ante 57% ao final de 2009 - o restante é de curto prazo.
Entre as principais ações da bolsa brasileira, há alguns cenários opostos. A Petrobras é um exemplo de aumento relevante na dívida, reflexo do megaprojeto de investimento das jazidas do pré-sal.
Já a gigante de celulose Fibria, que sofreu um baque no patrimônio em função dos prejuízos com derivativos na última crise econômica global, representa um cenário de êxito, segundo Galdi, da SLW. Soube aproveitar a elevação nos preços e volumes do setor para revigorar a estrutura financeira.

Comentários
Últimas Notícias
- 21:00
Encerramento do Noticiário - 20:59
Pressão negativa na bolsa brasileira deve permanecer - 20:40
Suzano tem produção impactada por parada não programada - 20:29
Twittadas da semana - 20:16
MLS tem crescimento, com público maior que o do Brasileirão - 20:00
Light Energia adquire 51% da Guanhães Energia - 19:48
Eficiência da Coca-Cola vai reerguer Neugebauer









