Mino Mazzamati, sócio do Titans Group, quer replicar o chip do Timão em outros times de futebol e segmentos variados, como o varejista e de cosméstico
Comunidade
Os torcedores do Corinthians contam desde maio com o chip do Timão, produto personalizado para os celulares da Claro, criado pelo Titans Group em conjunto com a operadora e o clube de futebol.
No lançamento, houve distribuição de 11 mil chips, mil para cada gol marcado pelo time no campeonato brasileiro até o início da Copa do Mundo.
Agora, o produto chega a diversos pontos de venda, que incluem quiosques no metrô e na rodoviária e lojas do Corinthians.
Com a iniciativa, a Claro sai com um embrião do que vai ser a futura operadora móvel virtual, cuja regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é aguardada para este ano.
Essa modalidade de serviço móvel já existe em outros países, não pressupõe a montagem de uma rede e ocorre por intermédio de uma operadora tradicional.
Além do chip do Timão, do Titans Group, a Claro também tem a CNChama, voltada à comunidade católica Canção Nova. "Eles têm um modelo de negócios que pode virar uma operadora virtual", afirma o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude.
"Hoje prestam serviços de valor adicionado, mas não compram capacidade de voz e dados", diz.
Nos dois casos, os chips são personalizados e a infraestrutura de rede e de atendimento pertence à Claro.
"Atuamos na retenção e na aquisição do cliente e produzimos conteúdo específico para determinado público, o que a operadora não consegue fazer", diz o sócio do Titans Group, Mino Mazzamati.
Pelos cálculos de Mazzamati, há entre 50 mil e 70 mil chips nas mãos de torcedores e a expectativa é atingir 500 mil até o final do ano.
Cerca de 70% das vendas feitas pelo site da Claro têm origem em pedidos de portabilidade numérica, o que mostra a fidelidade do cliente em relação ao clube.
"O usuário tem direito a promoções e ofertas da operadora, conteúdo exclusivo mais barato e parte da receita gerada pelo produto vai para o clube", diz Mazzamati.
O Titans Group espera movimentar cerca de R$ 5 milhões com a venda de chips e conteúdo como alertas de gol, vídeos, fotos, história de clássicos e lista dos jogadores escalados para jogos.
"Queremos que o chip tenha o caráter do radinho de pilha que fica na orelha ", diz.
Segmento religioso
No caso da CNChama, parceria da Canção Nova e da Claro, os chips foram lançados há um ano e são personalizados com conteúdo religioso, como o santo e o salmo do dia.
"Nossa intenção é atingir 1,2 milhão de pessoas que fazem doações para a comunidade", diz o gerente de tecnologia móvel da CNChama, João Paulo Kruschewsk.
A meta é vender 100 mil chips até o fim do ano, por meio de call center, 32 lojas próprias no país e uma equipe de 31 mil vendedores porta a porta.
A Canção Nova é uma comunidade católica fundada há 32 anos em Cachoeira Paulista (SP), que recebe 550 mil peregrinos por ano. A comunidade publica livros e grava CDs, além de possuir rádio e emissora de televisão, com 472 retransmissoras.
A receita mensal é da ordem de R$ 18 milhões, obtida por meio de doações e da venda de produtos. A ideia é aproveitar o conteúdo produzido pelas diversas mídias também na CNChama, tornando o celular um canal de comunicação com os fiéis.
"O custo foi o da retransmissora de Campinas, que atinge 2 milhões de pessoas. Com o celular, chegamos a todo o Brasil", diz Kruschewsky. Ele afirma que a CNChama está pronta para atuar como operadora virtual, assim que a Anatel der o sinal verde.
Já Mazzamati pondera sobre o assunto. "Dependendo do modelo que será adotado, pode ou não valer a pena", diz.
Realidade próxima
O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, acredita que o regulamento sobre o assunto seja liberado pela Anatel até outubro, embora o prazo oficial seja até o fim do ano.
O presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, diz que o negócio constitui revenda de capacidade e abre oportunidades para as empresas. "Permite o aumento da oferta e tende aa melhorar qualidade e preço", afirma.
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