Ninguém acreditou na Telefónica quando ela afirmou ao mercado, na última sexta-feira à noite, que desistiu da compra da Vivo. A atitude é encarada como estratégia para apressar o fim da novela.
Afinal, a proposta inicial foi feita há mais de dois meses. Houve um repique e uma tréplica, em vão.
Começou com € 5,7 bilhões em início de maio, passou a € 6,5 bilhões e aterrissou em € 7,15 bilhões, um valor considerado compensador por 74% dos votos de acionistas reunidos na assembleia de 30 de junho.
Ora, pedir mais um prazo depois desse desenrolar é cozinhar galo velho em água fria, e aí a Telefónica achou por bem sair da brincadeira. Ou sair de brincadeira.
O lado da Portugal Telecom também precisa ser avaliado à luz da ponderação. Possuir uma fatia importante numa empresa grande e promissora do setor de telecomunicações brasileiro é como olhar para o futuro e construir uma base de sustentação, fato de que nenhum acionista pode discordar.
Portugal tem, como sua vizinha Espanha, um mercado consumidor maduro e abastecido, que não cresce senão a taxas vegetativas.
A economia precisa sempre ter uma cenoura à frente, e o Brasil é uma cenoura e tanto nesses tempos de crise europeia e descoberta do pré-sal, Minha Casa Minha Vida, classes sociais de baixo poder aquisitivo emergindo ao consumo, bancos lucrando cada vez mais e abrindo seus cofres às pequenas e médias empresas.
A Telefónica quer a Vivo ainda, sim. Por que mudaria de ideia de um dia para outro? A estratégia que está por trás de sua suposta desistência é a guerra acirrada que provocou internamente entre acionistas e conselho de administração.
Porque neste momento os 74% dos membros que aderiram à proposta quando o preço atingiu € 7,15 bilhões estão muito revoltados com o governo português e sua golden share.
Eles se habituaram a ouvir do presidente da Portugal Telecom, Zeinal Bava, que essa prerrogativa nunca seria utilizada pela empresa. E agora se sentem desautorizados.
Conforme espera a Telefónica, a briga já está instaurada no interior da PT. É só esperar e refazer a proposta vitoriosa, ou tirar o bode da sala.
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Thais Costa é editora executiva do Brasil Econômico
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