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Europa

Colapso do euro: como ficariam Grécia e Alemanha?

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)
06/09/11 19:34


Protestos na Grécia contra as medidas de austeridade: custo de deixar o euro pode chegar a 50% do PIB

Protestos na Grécia contra as medidas de austeridade: custo de deixar o euro pode chegar a 50% do PIB

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Pesquisa do banco UBS mostra que, caso a Grécia deixe o euro, o custo pode chegar a 50% do PIB para o país no primeiro ano.

Uma pesquisa do banco suíço UBS revelou que, caso um país periférico decida deixar a Zona do Euro, incorrerá em um custo de entre € 9.500 e € 11.500 por habitante, no primeiro ano.

Isso seria igual a uma faixa entre 40% e 50% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos anos subsequentes, o preço que o país teria de pagar pode chegar a € 4.500.

Por sua vez, o custo de um país como a Alemanha deixar a Zona do Euro estaria entre € 6.000 e € 7.000 por habitante - entre 20% e 25% do PIB.

Nessa hipótese, o principal efeito seria sentido pela indústria exportadora do país, que se beneficia do livre mercado para vender seus produtos nos demais mercados da Zona do Euro.

Paralelamente, o banco estima que se a Alemanha bancar um resgate total a Portugal, Grécia e Irlanda, o custo ao país seria de pouco mais de € 1.000 por habitante.

Segundo o UBS, suas estimativas sobre uma ruptura do bloco de moeda única são conservadoras. "As consequências incluem calote da dívida soberana, calote da dívida empresarial, colapso do sistema bancário e quebra do comércio internacional", afirma estudo elaborado por Stephane Deo, Paul Donovan e Larry Hatheway. O modelo calcula uma redução de 50% no comércio do país que abandone o bloco.

Na análise, os países periféricos da Zona do Euro incorrem em um custo maior, caso decidam deixar o euro. Primeiramente, esses países seriam forçados a declarar um calote da dívida pública, algo que não ocorreria com a Alemanha, por exemplo.

"Se a Grécia saísse do euro, os juros da dívida pública iriam para a estratosfera. Não haveria como pagar", diz Arilton Teixeira, professor de economia da Fucape Business School.

Em segundo lugar, com a desvalorização dos títulos, haveria o risco de que o país visse uma corrida aos bancos por saques, dentre a população, o que poderia levar à quebra do sistema financeiro.

"O que seria mais provável seria a imposição de uma limitação muito forte, ou até a proibição de saques, uma coisa parecida com o 'corralito' que aconteceu na Argentina", diz Mauro Schneider, economista chefe da Banif Corretora.

O chamado "corralito" foi quando a Argentina, em 2001, limitou as retiradas que seus cidadãos poderiam fazer nos bancos. A medida visou evitar uma quebra generalizada do sistema financeiro, após o país ter desvinculado sua moeda do dólar.

Na Grécia, um movimento como esse dificultaria ainda mais a recapitalização do sistema financeiro local. "Os bancos gregos hoje estão tecnicamente falidos", diz Nicola Tingas, economista chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

Em terceiro lugar, por ser algo inédito, as consequências de uma saída do euro não são totalmente previsíveis, e poderiam implicar também em uma saída da União Europeia.

"Haveria a discussão de qual o significado de sair da Zona do Euro", diz Teixeira. "Sair da união monetária é uma coisa e sair da União Europeia é outra, há um custo maior".

A princípio, a solução mais barata seria de um resgate mais amplo. Um exemplo de medida seria a criação de títulos de dívida europeus, ou seja, títulos em nome de todos os países da Zona do Euro.

O problema dessa solução seria o chamado risco moral, ou seja, o auxílio se tornaria um incentivo para que outros países soltassem o controle de suas contas públicas.

Além disso, a medida seria um cheque em branco para os países mais endividados. "Imagine se a Grécia pudesse emitir dívida em nome da Alemanha? Seria perfeito para eles", ressalta Teixeira.

Para o bloco econômico, o principal risco de um membro sair do bloco é o contágio a outras economias.

"Deixar um país sair e sinalizar que desequilíbrio fiscal não será tolerado pode até ser positivo no longo prazo", pondera Teixeira.


Comentários

Sergio Murta, Rio de Janeiro | 06/09/11 20:16
Muito boa a reportagem.
Resta saber se a Alemanhã está disposta a bancar o ajuste para sair ou o prejuízo da grécia e permanecer.


Augusto, São Paulo/São Paulo | 20/09/11 15:27
Experta foi a Inglaterra que não entrou nesse barco!!!


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