Comunidade
As autoridades chinesas reagiram com irritação a um discurso em que o Dalai Lama afirmou que os budistas tibetanos estão vivendo em condições análogas a uma prisão e manifestou solidariedade à população de Xinjiang.
A habitual ira chinesa contra o Dalai Lama se intensificou depois do encontro dele com o presidente dos EUA, Barack Obama, no mês passado. Pequim qualifica o Dalai Lama como um perigoso separatista, embora o líder tibetano no exílio afirme que busca apenas mais autonomia para o seu povo, sem querer a independência plena.
Em discurso na quarta-feira (10), por ocasião do 51º aniversário da sua fuga do Tibete, após uma frustrada rebelião contra o regime chinês, Dalai Lama se referiu a Xinjiang como "Turquestão Oriental", nome usado por exilados separatistas dessa região chinesa onde vive a etnia islâmica uigur.
"Isso expõe e prova sua intenção de dividir a China e destruir a unidade étnica", disse Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, sobre Dalai Lama.
"O Dalai distorce a situação no Tibete, ataca e insulta as políticas do governo central no Tibete, para alardear suas alegações separatistas de independência ou semi-independência."
No seu discurso, Dalai Lama também acusou Pequim de colocar monges e monjas budistas "em condições análogas a prisões", fazendo com que "os monastérios funcionem mais como museus para aniquilar deliberadamente o budismo."
Em 2008, protestos contra o domínio chinês geraram grande violência e repressão no Tibete e em regiões vizinhas, com pelo menos 19 mortos, pouco antes da Olimpíada de Pequim. O regime comunista negou que tenha havido exageros na reação aos tumultos.
"No Tibete, as pessoas podem acreditar no que quiserem, desde que seja legal. O governo não irá interferir. Em vez disso, irá ajudar as pessoas a resolverem os problemas", disse o vice-prefeito de Lhasa, capital do Tibete, Jigme Namgyal, segundo o jornal China Daily.
Padma Choling, governador da região recém-nomeado por Pequim, afirmou: "Deixe Dalai Lama dizer o que quiser. Vamos simplesmente continuar fazendo o que fazemos."
A edição internacional do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista, acrescentou em um comentário que a melhor forma de assegurar a estabilidade do Tibete e de Xinjiang é fortalecer o desenvolvimento nessas regiões.
"O Tibete e Xinjiang irão certamente se desenvolver junto com o resto do país. Se houver estabilidade no país, as fronteiras terão uma paz que durará para sempre", disse o jornal.
No ano passado, a violência em Xinjiang entre uigures e membros da etnia han, majoritária na China, deixou pelo menos 200 mortos.
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