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Cena externa pesa e Ibovespa fecha com ligeira baixa

Bárbara Ladeia   (bladeia@brasileconomico.com.br)
22/06/10 17:50


Apesar da resistência durante boa parte do dia, Ibovespa encerra o dia contaminado pelo mercado externo

Apesar da resistência durante boa parte do dia, Ibovespa encerra o dia contaminado pelo mercado externo

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Após passar boa parte do dia operando em alta, descolado do cenário internacional, o Ibovespa se contaminou com o mau humor externo e encerrou o dia em discreta baixa de 0,03%, aos 64.810 pontos.

O volume financeiro negociado foi de R$ 5,3 bilhões, com 396.550 negócios.

Com indicadores negativos lá fora, o investidor estrangeiro encontrou no Brasil um refúgio para o seus investimentos durante boa parte do dia.

"Tivemos uma participação bastante expressiva de investidores estrangeiros na primeira parte do pregão", afirma o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

No entanto, no final do pregão, o Ibovespa entregou os pontos para ações como Vale e Petrobras, que tem forte participação na composição do índice. 

Com a queda das commodities metálicas e as incertezas quanto à capitalização da Petrobras, as ações da companhia passaram para o terreno negativo, carregando o principal índice acionário brasileiro.

Vale ON (VALE3) perdeu 0,83%, cotada a R$ 48,07. Vale PN (VALE5) encerrou em queda de 0,62%, negociada a R$ 41,59.

Os bons fundamentos do mercado interno conflitaram com o mau humor externo, gerando volatilidade no dia.

Para Galdi, a Bovespa operou nesta terça-feira em "compasso de valsa". "Dois para lá, dois para cá e ninguém sai do lugar".

O analista ainda destaca que parte da baixa do final do pregão pode ter vindo da realização de lucros das operações durante o dia.

Cenário externo

Os dados do mercado imobiliário nos EUA também decepcionaram o investidor, dando tom negativo à sessão em Nova York.

O número de vendas de casas usadas no país foi menor que as expectativas no anualizado de maio. As vendas atingiram 5,66 milhões de imóveis, número inferior às estimativas de 6,10 milhões.

Na Europa, o ministro das Finanças britânico, George Osborne, afirmou que será instituído um imposto sobre o volume de negócios dos bancos que operam no Reino Unido. A taxação entrará em vigor no próximo ano e arrecadará £ 2 bilhões anuais.

A Grã-Bretanha também deverá cortar outros £ 17 bilhões do gasto público e congelará os salários dos funcionários durante dois anos.

Destaques

As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) encabeçaram a lista das maiores baixas do dia, acumulando perdas de 2,28%, cotadas a R$ 33,39.

Para Galdi, esse é um efeito direto da discussão em torno da capitalização da companhia. "Enquanto não houver uma decisão quanto aos valores da capitalização da Petrobras, as ações tendem a operar em terreno negativo", afirma.

Na ponta positiva, as ações do setor de telecomunicações estiveram em destaque. Telemar Norte Leste (TMAR5) liderou os ganhos com alta de 4,17%, cotada a R$ 52,20.

A ação ordinária da TIM (TCSL3) também esteve em destaque, com ganhos de 4,14%, cotada a R$ 7,30.

Para Galdi, trata-se de uma recomposição de preços após uma sequência de fortes baixas no setor de telecomunicações, devido aos impasses quanto à reorganização societária envolvendo a Vivo.

O analista-chefe da SLW destaca, também, as ações ordinárias da Marfrig (MRFG3) e das Lojas Renner (LREN3), que tiveram ganhos no dia, de 1,46% (R$ 17,36) e 4% (R$ 48,88), respectivamente.

"Isso mostra que o investidor está deixando de ficar em cima somente de papéis do setor de commodities, buscando ações de empresas de bens de consumo, sustentadas na economia local", defende.


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