Em fevereiro de 1950, o primeiro cartão de crédito Diners Club foi lançado. Utilizado, inicialmente, para fins de viagem e entretenimento, tornou-se o primeiro cartão de crédito de uso generalizado e, assim, mudou a forma com que os consumidores compram.
Passados sessenta anos, qual é a atual e a futura situação da indústria do cartão de crédito?
Apesar da crise de 2008 ter sido de crédito, pouco foi dito a respeito das empresas de cartão de crédito e de seu papel de fornecedoras de capital para indivíduos e famílias.
Os bancos sentiram a maior queda de índices da bolsa de valores em décadas. No entanto, o desempenho dos preços das ações das empresas de cartão (American Express, Mastercard e Visa), tem sido expressivo.
Desde abril de 2008, enquanto o índice S&P 500 perde quase 33% em base cumulativa, essas três empresas têm tido ótimo desempenho no mercado.
O caso da Visa é exceção, pois se tornou pública em março de 2008, portanto, parte de seu desempenho pode ser atribuído à sua estréia no mercado.
O desempenho de mercado das empresas de cartão de crédito não é surpreendente. Enquanto a redução das taxas de juros tem permitido às instituições financeiras reduzir seus custos de captação e, portanto, sair da crise sem maiores danos, os consumidores não estão em ambiente tão favorável.
De fato, a receita operacional líquida da Visa no ano fiscal de 2009 foi de US$ 2 bilhões, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.
Como funcionam as empresas de cartão de crédito? Uma empresa de cartão de crédito é apenas uma rede de serviços de processamento, em que os emissores e os adquirentes transferem pagamentos do titular para o comerciante.
Neste processo, o estabelecimento paga taxas de processamento de pagamentos e os portadores do cartão pagam juros sobre seus saldos. Este sistema de geração de lucro gera um balanço de estrutura atípica.
A Mastercard, por exemplo, não tem dívidas e é financiada em grande parte pelo passivo circulante e US$ 2 bilhões em patrimônio líquido.
A Visa, com US$ 20 bilhões em ativos intangíveis e uma dimensão total de US$ 32 bilhões, das quais US$ 8 bilhões são ativos líquidos.
Estas empresas são extremamente lucrativas e podem sair ilesas de uma crise financeira, transferindo o risco de taxa de juros para os clientes, emissores e adquirentes.
Desde sua oferta pública inicial em 2005, a rentabilidade acumulada das ações Mastercard tem sido mais de 500%, equivalente a um retorno anual de 38%.
Agora, o que aconteceria se a próxima crise financeira fosse uma de crédito pessoal? Com baixas taxas de juros e a pressão social, uma crise de crédito pessoal seria inadministrável para qualquer governo.
Além disso, não seriam as empresas de cartão de crédito que mais sofreriam. Não há como duvidar que o cartão de crédito, lançado há 60 anos, irá continuar prosperando e fazendo parte de nossas vidas quotidianas nas próximas décadas.
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Arturo Bris é professor de finanças do Instituto Internacional de Desenvolvimento de Gestão (IMD)
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