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Análise

"Brasil já estava na moda antes da crise por estabilidade"

Carolina Alves   (calves@brasileconomico.com.br)
04/03/10 15:40


Comercial da Havaianas no exterior: sucesso da sandália não quer dizer sucesso para o Brasil todo

Comercial da Havaianas no exterior: sucesso da sandália não quer dizer sucesso para o Brasil todo

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Para economista radicado em Londres, Brasil crescerá 5% sobre uma base zero e ainda tem muito a avançar.

Bernardo Guimarães, PhD em Economia pela Universidade de Yale, está há dez anos fora do Brasil, o que lhe permite olhar com verdadeiro distanciamento para algumas avaliações do Brasil.

Enquanto o mercado brasileiro aumenta suas apostas para o PIB, por exemplo, ele mantém uma taxa mais conservadora. "Acredito que o Brasil crescerá 5% em 2010, sobre uma base de zero em 2009 - enquanto o mundo apresentará crescimento negativo", diz Guimarães.

"Expansão de 6% é exagero, pois fica próxima a taxas de países que vem apresentando desempenho muito melhor que o Brasil, como China e Índia", assinala.

Professor da London School of Economics, Guimarães reconhece que o Brasil está na moda, e isso faz com que alguns produtos ganhem destaque. Mas lembra que o país já estava na moda antes da crise, por conta da estabilidade política.

"Entretanto, a minha impressão é de que fazer negócios no Brasil ainda é um caos", diz. Os obstáculos são os mesmos de sempre: entraves burocráticos e tributários (impostos elevados), um desafio para os próximos anos. "Tivemos poucos avanços nesse quesito. A sorte é que fazer negócios em outros emergentes, como Moçambique é pior ainda", brinca o economista.

América Latina

O Brasil tem uma posição de destaque entre seus vizinhos, mas está num patamar parecido ao do Chile, por exemplo, quanto à estabilidade e desenvolvimento - "Chile, porém, ao meu ver, está um pouco melhor, ainda".

A Venezuela, por outro lado, é tida como muito instável no exterior, por ter tomado decisões políticas muito ruins, tendo como base principal uma "soberania" do petróleo.

Crescimento global

O mundo todo deverá teá uma taxa de crescimento positiva este ano, com exceção da Grécia, aponta o economista. "Os Estados Unidos devem crescer 3%, contra queda de 2% ou 3% no ano passado. A Inglaterra, por outro lado, que caiu 4,5% em 2009, este ano deverá crescer 1%.

"Ainda estará mais pobre em 2010 do que em 2008, mas já voltamos a uma taxa significativa", diz. Para ele, o crescimento do mundo será lento, visto que não compensará as perdas este ano. Mas ainda assim, significativo.

Brasileiras capitalizadas

As empresas brasileiras estão hoje mais capitalizadas que seus pares estrangeiros, mas o Brasil está ainda recebendo mais recursos externos que enviando para fora, o que se reflete numa tendência de longo prazo.

A percepção de que o país é um mercado grande e com enorme potencial de crescimento atraiu mais investimentos , principalmente por conta da estabilidade política conquistada nesses últimos dez anos - o que não aconteceu em países como a China e a Rússia.

Para Guimarães, o Brasil continuará a despertar a atenção do mundo, com um ambiente macroeconômico mais estável e espaço para expansão. O desempenho com a crise também mostrou ao mundo que o país está mais forte e independente e contribuiu para a visão de Brazil takes off.

Entretanto, nossas emissões demorarão a equilibrar-se com as captações do exterior. "O fato de ver cada vez mais europeus calçando chinelo Havaianas e tomando cerveja Brahma não é um indicador ideal de que o Brasil vai bem nesse sentido (levar empresas para fora)".

Recuperação na Europa

Em 2010, a Europa deve crescer 1,5%, ante queda de 4% em 2009. Nesse sentido, o mercado europeu diminuiu, o que faz com que empresas e investidores apostem mais nos emergentes.

A exemplo do Brasil, com taxa de expansão de 5%, há mais espaço para se instalar.

No sentido contrário, abrir negócios no exterior, no momento, pode não ser tão atraente. "Mas, se há europeu disposto a pagar US$ 25 por uma havaianas, a hora é ideal para investir", conclui.


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