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Marcelo Mariaca

Bônus na mira

13/02/10 07:08 | Marcelo Mariaca - Presidente da Mariaca



A proposta do Banco Central de se adotar uma nova legislação para a remuneração dos executivos do setor financeiro está em linha com discussões iniciadas em reuniões com o G-20 e em iniciativas mais concretas, como as colocadas em prática pela França depois da eclosão da crise mundial.

Já no início do século, quando começaram pipocar escândalos corporativos, os elevados bônus pagos aos executivos em decorrência de resultados de curtíssimo prazo, obtidas por meio de estratégias agressivas, começaram a ser vistos como uma ameaça à saúde econômica das organizações no longo prazo.

A discussão aprofundou-se com a crise. No Brasil, a proposta do Banco Central tem sido vista pelos próprios banqueiros como excesso de zelo, uma vez que nossas instituições financeiras são reconhecidamente mais conservadoras e cautelosas que suas congêneres norte-americanas, por exemplo.

Além disso, as instituições brasileiras já começaram a fazer ajustes de forma espontânea, como anunciou o Itaú-Unibanco recentemente. 

Apesar de serem bem-vindas práticas que desestimulem os executivos a assumir riscos excessivos, a realidade mostra que os pacotes de remunerações sempre foram um dos principais motores para atrair talentos e motivar os executivos a buscar cada vez mais resultados melhores.

Nas épocas de crise, as empresas pisam no freio, movidas pelo instinto de sobrevivência e senso de responsabilidade. Mas tão logo voltam os tempos de bonança e a competição se acirra, elas voltam a acelerar e desenvolvem pacotes mais atraentes.

A novidade é que as organizações perceberam que não podem continuar a incentivar recompensas por resultados de curto prazo ou por decisões baseadas em risco excessivo, que comprometem a sustentabilidade do negócio e abrem espaço para a prática de desvios éticos, como a manipulação de balanços e do preço de ações.

Ressalve-se que não cabe ao governo intervir na gestão das empresas, como, por exemplo, impor limites aos salários do executivo. A política de recompensas é uma prerrogativa de cada empresa.

Além do mais, limitar recompensas pode desestimular a inovação e o risco, que são pilares inabaláveis do empreendimento e do sucesso empresarial.

Uma das considerações óbvias é a necessidade de maior transparência e informação sobre os salários dos executivos, para que os acionistas possam avaliar se o que se paga aos gestores corresponde de fato ao seu desempenho.

Outra necessidade é evitar que os resultados de curto prazo sejam o fator preponderante na definição da política de gratificações.

O mecanismo de stock options continua a ser uma boa prática, pois compromete o executivo com o desempenho do negócio, mas precisa de certos ajustes.

O executivo é um acionista diferente daquele que investe sua poupança no negócio. Em muitos casos, ele se comporta como acionista de curto prazo, interessado nos ganhos imediatos e resultados trimestrais, enquanto os outros acionistas vislumbram um horizonte maior.

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Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca e professor da Brazilian Business School


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