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12:12 | Quinta, 09 de setembro 2010
Marcelo Mariaca

Bônus dos executivos

05/07/10 07:09 | Marcelo Mariaca - Presidente da Mariaca



Há pouco mais de um ano, com o mundo ainda atordoado com os efeitos de uma das mais terríveis crises econômicas da história, propagou-se nos quatro cantos do planeta que as altas remunerações e os bônus generosos pagos aos executivos estavam com os dias contatos.

O G20 discutiu o assunto, alguns países ensaiaram uma regulamentação nesse sentido e até o Banco Central chegou a propor uma nova legislação para conter os excessos, principalmente no setor financeiro.

Quem de fato tomou uma providência concreta foi a Comissão de Valores Mobiliários, que determinou que as empresas de capital aberto deveriam apresentar informações sobre a remuneração dos executivos até 30 de junho passado.

A medida visa dar transparência maior à gestão das empresas. A determinação da CVM é bem-vinda e não chega a ser tão severa como a legislação nos EUA, que obriga a empresa a revelar não apenas os maiores e os menores salários dos diretores e conselheiros, como fez a CVM, mas também a identificação dos executivos e a remuneração correspondente, incluindo os bônus.

Mas, mesmo assim, pode-se deduzir quem são os executivos brasileiros que recebem as maiores e as menores boladas no mercado.

Em relação ao valor dos bônus e remunerações, é verdade que houve uma redução nos países que foram mais impactados pela crise, mesmo porque caiu o resultado das empresas.

No Brasil, no entanto, a situação é diferente. Primeiro, porque muitas empresas, inclusive do setor financeiro, são mais conservadoras. Segundo, porque a crise afetou menos o país.

Pesquisa recente do Hay Group mostrou que os incentivos de curto prazo para os executivos brasileiros representam 42% do salário, percentual acima - embora não muito distante - do que é pago em outros sete países desenvolvidos e emergentes.

Os pacotes de remunerações sempre foram um dos principais motores para atrair os talentos mais brilhantes e motivar os executivos a buscar resultados melhores.

Mas, após as crises, as organizações perceberam que não podem continuar a incentivar recompensas por resultados de curto prazo ou por decisões baseadas em risco excessivo, que comprometem a sustentabilidade do negócio e abrem espaço para a prática de desvios éticos, como a manipulação de balanços e do preço de ações.

Uma das considerações óbvias é a necessidade de maior transparência e informação sobre os salários, para que os acionistas possam avaliar se o que se paga aos gestores corresponde de fato ao seu desempenho.

Outra necessidade é evitar que os resultados de curto prazo sejam o fator preponderante nessa definição. O mecanismo de stock options continua a ser uma boa prática, pois compromete o executivo com o desempenho do negócio, mas precisa de ajustes.

O executivo é um acionista diferente daquele que investe sua poupança no negócio. Em muitos casos, ele se comporta como acionista de curto prazo, interessado nos resultados trimestrais, enquanto os outros acionistas vislumbram um horizonte maior.

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Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School


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