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A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aguarda apreensiva a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), no próximo dia 16.
Se a autoridade monetária realmente der início à reversão do processo de queda da taxa básica de juros (Selic), hoje em 8,75%, a medida terá impacto negativo sobre as contas da instituição comandada por Luciano Coutinho.
O Brasil Econômico apurou junto ao governo que, se o novo ciclo resultar em alta de até 12,75%, como projetam economistas, fatalmente o BNDES terá que recorrer a novo aporte do Tesouro Nacional para fazer frente ao aumento da demanda por recursos do banco.
Embora procure manter distância de polêmica com o BC, ainda encarado como o último bastião liberal do governo, a diretoria do BNDES já discute o futuro da instituição no novo cenário de juros altos.
A orientação do banco é não recorrer mais ao Tesouro para novos aportes de capital, mas, diante das circunstâncias, a medida não está descartada.
No ano passado, o Tesouro assegurou o aporte de R$ 180 bilhões, em 2009 e 2010, para fazer frente à procura por crédito principalmente nas áreas de infraestrutura e industrial.
Fontes do governo asseguram que, para este ano, o montante é considerado mais do que suficiente para honrar tais compromissos, e assegurar um crescimento que poderá alcançar até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.
O problema é 2011, como advertem essas mesmas fontes. A preocupação se deve ao fato de o BNDES representar, hoje, praticamente a única fonte de crédito de longo prazo no Brasil.
Títulos públicos mais atrativos
Com a queda da Selic, nos últimos meses, o banco trabalhava com a perspectiva de um novo círculo virtuoso de crescimento, que resultaria, em último caso, na oferta de empréstimos de longo prazo por bancos privados.
A alta da taxa, no entanto, mantém os títulos do governo como opção de investimento mais atrativa para esse tipo de instituição. Por isso, a expectativa da diretoria do BNDES é de aumento da demanda principalmente por parte da indústria, que já começa a se preocupar com os primeiros sinais de aumento da curva de juros, sinalizada pelo mercado futuro.
Diante disso tudo, o clima na diretoria do banco não é dos mais tranquilos. Há quem defenda, inclusive, não bem uma revisão da meta de inflação do BC (4,5%, com variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo), mas a condução menos ortodoxa da política monetária, em nome do crescimento do país e da saúde do banco.
Em lugar de mirar no centro da meta, sugerem alguns executivos, o BC deveria buscar resultado próximo do teto de tolerância da meta - algo como IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 6%.
Saia-justa com a Petrobras
Recorrente nos últimos anos, o debate das metas de inflação ganhou contornos mais dramáticos por flagrar o banco em momento de sobrecarga, com o captação abaixo do necessário para fazer frente a um aumento da demanda.
Por trás do cobertor curto do banco, reside a explicação para a recente saia-justa que envolveu o presidente da instituição financeira, Luciano Coutinho, e o diretor da Área Financeira da Petrobras, Almir Barbassa.
No mês passado, o executivo afirmou que a Petrobras poderia recorrer a uma linha de crédito pré-aprovada pelo BNDES, de R$ 20 bilhões, para financiar investimentos no pré-sal. A informação, no entanto, não foi confirmada por Coutinho.
No BNDES, as declarações de Barbassa foram interpretadas como parte de uma estratégia para baratear empréstimos no mercado.
Com a garantia do BNDES, a Petrobras obteria recursos a taxas mais favoráveis.
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