A BM&F Bovespa está colocando a parceria firmada com a Chicago Mercantile Exchange (CME) para funcionar. O objetivo da bolsa brasileira é enfrentar a concorrência com as bolsas internacionais.
Na mesa de estudos das duas instituições está, agora, a listagem de derivativos do S&P 500 - um dos índices mais importantes do mercado americano, que reúne as 500 ações mais representativas do país - no pregão da bolsa brasileira.
A proposta de incluir futuros e opções de Ibovespa no mercado americano já foi formalmente apresentada a algumas corretoras, que estão sendo consultadas sobre a demanda dos investidores e sobre o melhor desenho para o produto.
No caminho contrário, também está se discutindo como proceder para a listagem de derivativos do Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, nos mercados da CME.
Ainda não há data definida para a efetivação dessa listagem cruzada, mas executivos da BM&FBovespa manifestaram a forte expectativa de que ela se concretize até o ano que vem.
A presença de derivativos do S&P 500 na BM&FBovespa é sinônimo de simplicidade para os brasileiros interessados na exposição ao mercado americano.
Já a listagem de futuros do Ibovespa na CME embute a intenção de ampliar a competitividade e marcar o território da bolsa brasileira no cenário internacional.
Uma das preocupações da bolsa é preservar o Ibovespa como a principal referência do mercado brasileiro de ações lá fora, em vez de deixar o espaço aberto para índices concorrentes.
Caso do MSCI Brazil Index, representativo do desempenho das ações das empresas do país e considerado um importante indicador do mercado brasileiro para a comunidade estrangeira.
Volumes
A "exportação" de derivativos do Ibovespa também permitirá à bolsa fisgar uma fatia dos volumes dos ativos vinculados ao Brasil que são transacionados nas bolsas internacionais.
O fundo de índice - ou ETF (Exchange Traded Fund) - MSCI Brazil Index Fund, administrado pela gestora BlackRock e indexado ao índice homônimo, é um dos mais populares dos EUA.
O fundo detém ações de empresas como Petrobras, Vale, Itaú Unibanco, Bradesco e a própria BM&FBovespa. Com esta composição, sua performance alcança correlação de até 90% com o índice brasileiro.
Em junho, a carteira de papéis brasileiros foi a oitava mais negociada dentre todos os ETFs da listados na Bolsa de Nova York (Nyse).
O giro médio diário no ETF alcançou US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões) no mês passado, segundo os números apurados pela Nyse.
Parece pouco perto da média diária de US$ 28,5 bilhões (ou R$ 50,2 bilhões) negociados no ETF indexado ao S&P 500. Mas é muito (pouco menos da metade) se comparado aos volumes da bolsa brasileira.
O giro médio diário do segmento de ações da BM&FBovespa não passou dos R$ 5,8 bilhões em junho.
Analistas acreditam que o lançamento de derivativos de Ibovespa na CME seja um sucesso.
O interesse por exposição a Brasil é intenso - tanto é que se estima que o mercado de derivativos de balcão brasileiros nos EUA alcance cifras semelhantes a todo o segmento BM&F da bolsa.
Procurada para comentar o assunto, a BM&FBovespa informou que "está sempre atenta às demandas do mercado e atualmente estuda a listagem de novos produtos derivativos", porém ainda em fase inicial.
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