Exposição em São Paulo investe R$ 9 milhões para reunir artistas valorizados do mercado americano, como Jeff Koon, e destaca o britânico Damien Hirst.
Um gigantesco cinzeiro branco com restos despejados por fumantes recebe o público na exposição Em Nome dos Artistas - Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Feranley, em cartaz a partir de hoje no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera.
Ao lado da obra Necropolis, do inglês Damien Hirst, datada de 1996, está a caveira de The Fate of Man, do mesmo artista, de 2005. São trabalhos atuais e badalados no mundo inteiro que em outra época demorariam mais tempo para chegar por aqui. Essa história parece coisa do passado com o panorama positivo do Brasil.
Em Nome dos Artistas é grandiosa na filosofia e no tamanho. A exposição ocupa 18 mil m² dos três andares do Pavilhão da Bienal. Ultrapassa, por exemplo, o espaço da Bienal do Mercosul, de 10 mil m², e preenche mais da metade da área da Bienal paulistana, de 30 mil m².
"É a maior exposição de arte internacional do hemisfério sul", define Heitor Martins , presidente da Bienal de São Paulo. A exposição comemora os 60 anos da Bienal, que não ocorre em 2011.
Para reunir um conjunto de 219 obras de 50 artistas americanos, mais o inglês Damien Hirst, considerado um dos maiores expoentes da arte contemporânea, a instituição gastou R$ 9 milhões, sendo R$ 3 milhões desse montante destinados aos projetos educativos.
"Quando você compara isso com as cifras do esporte, esse números são irrelevantes", analisa Martins. "O investimento feito em um estádio, de R$ 1 bilhão, paga todas as Bienais desde a criação".
Foram dois anos de negociações com o acervo do Astrup Fearnley Museum of Modern Arte de Oslo, na Noruega. A logística começou em março com a embalagem e o despacho em contêineres.
O material foi distribuído entre barcos e aviões por questões de segurança. Trata-se de um acervo que em leilão arrecadaria algo em torno de US$ 1,5 bilhões, diz Martins. Mother and Child Divided, por exemplo, é estimada em US$ 100 milhões.
Somente a construção das paredes que dividem obras, espaços e artistas levou 40 dias. E são elas que tornam o segundo andar um labirinto desafiador (e um pouco confuso) para o público que, se bobear, sai dali com alguma obra "devendo" na visita.
Martins conta que artistas como Damien Hirst e Matthew Barney enviaram equipes para vistoriar a montagem. Outros preferiram botar a mão na massa, como Nate Lowman. Enquanto Hirst é a estrela de abertura, o segundo andar ficou com os nomes mais recentes. Já nos últimos estão os famosos, como Jeff Koons e Cindy Sherman.
"Há uma grande quantidade de obras que representam o que há de melhor desses artistas. As coisas icônicas estão aqui", comemora Martins.
Algumas delas são Three Ball Total Equilibrium Tank, de Koons, Adam and Eve Exposed, de Hirst, uma das diversas obras que receberam a classificação de não-recomendável para menores de 18 anos. O nu, especialmente o masculino, é uma marca da ousada (e às vezes difícil de digerir) coleção.
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Eu achei muito legal a bienal ter artistas norte-americanos eu concerteza vou ir là comferir