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Fernando Manfio

Baixa inadimplência

19/04/10 07:22 | Fernando Manfio - Sócio-diretor da Witrisk



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E não é isso mesmo que todos esperávamos? Talvez nem tanto ou nem tão rápido, mas certamente um movimento de baixa da inadimplência, neste 2010, era esperado, até mesmo em nossas previsões internas.

Chegamos até a prever estes 7,2%, mas para março deste ano (over 90); aconteceu antes. E isso para quase todos os produtos de crédito (crédito pessoal, veículos, CDC, cartão e outros).

Então vamos refletir um pouco do por que deste movimento: voltemos ao ano de 2007/2008, crédito em franca expansão; primeiro semestre de 2008 - uma certa euforia tomava conta do mercado de produtos de crédito, ofertas agressivas com prazos longos aconteciam por todos os lados.

Além do consignado, que engordava a carteira de crédito pessoal, também ocorria uma alteração no mix de inadimplência para baixo, camuflando um pouco os demais produtos de crédito pessoal (CP).

Uma considerável preocupação mais forte com relação à inadimplência começou a ocorrer no meio de 2008, quando os números já cresciam, principalmente se retirássemos os efeitos do consignado e do alongamento de prazos de veículos - ambos diminuem o indicador total em um primeiro momento e se iniciaram os alertas de que o segundo semestre seria de recuperação desses créditos.

Aliás, até então, mais de crédito do que de cobrança (o que se inverteu no segundo semestre de 2008 e 2009). Tão logo, as empresas de cobrança ganhavam força para se profissionalizar e se preparar para uma fase próspera de recuperação de clientes. Afinal a super oferta e a transferência de crédito transformava-se em um fato, e não sabíamos onde o risco se tornaria mais que recompensa!

Aí, chegou a crise na reta final de 2008, que trouxe muito medo em relação ao crédito, uma instabilidade no mercado e impactou diretamente as concessões de crédito, para menos. Será que era mesmo um "remédio amargo", essa crise? E seria mesmo de efeito curador?

Essa era nossa expectativa, mesmo antes que a crise diminuísse a euforia e buscássemos mais consciência e ferramentas de gestão de risco adequadas para, posteriormente, voltar a acelerar o crescimento do crédito mais saudável. E foi isso, passamos pela crise buscando maior conscientização na concessão do crédito e após isso retornamos ao crescimento em 2010 (...)

Com a melhora da economia e passado o susto maior, os sinais de recuperação se iniciaram em meados do ano passado, associados a safras "melhores" (mais cuidado e consciência em relação ao risco nos meses pós-crise), e iniciamos um rápido processo de recuperação do crescimento do crédito.

Com o aumento das concessões diminuindo, a representatividade dos inadimplentes em relação à carteira total de crédito, o foco dado na recuperação (cobrança de inadimplentes) e na melhoria das safras durante o ano de 2009, esse ano de 2010 certamente começaria colhendo os frutos que aí estão.

Continuaremos assim; mais conscientes em gestão de riscos e crescendo com carteiras saudáveis. Essa é a nova tendência dos próximos meses!

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Fernando Manfio é sócio-diretor da Witrisk e autor do livro O Risco Nosso de cada dia


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