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Paulo Rabello de Castro

Avançamos pouco em 5 anos

20/01/12 07:35 | Paulo Rabello de Castro - Chairman da SR Rating e presidente do Conselho Estratégico da Fecomercio



Cinco anos fazem grande diferença para um país. Mais ainda na perspectiva dos países concorrentes.

A China colocou mais alguns cavalos de vantagem sobre os demais países no quinquênio de 2008 a 2012.

Estamos começando o quinto ano da chamada Grande Recessão, iniciada com o estouro da bolha em 2008.

Os EUA ainda apresentam uma recuperação manufatureira fraca, sem retornar sequer aos níveis pré-crise.

Salvam-se pelo avanço do agronegócio, das suas indústrias "criativas" e de alta tecnologia, e dos serviços ligados à demanda do governo, pelo enorme déficit federal, inclusive das guerras externas.

Do outro lado do Atlântico, a Europa evitou uma queda livre pela vitalidade competitiva da indústria alemã, bem como de alguns setores de ponta nos países mais bem organizados da área, como Suécia, Finlândia, Noruega e Holanda, entre outros da parte setentrional rica da zona do euro.

Mas o melhor dos mundos para a Europa em 2012 ainda será evitar o colapso da sua economia regional. No caso do Japão, o resultado está longe de ser o pior, no time dos países estancados. Crescerá este ano.

As esperanças da demanda mundial em 2012 continuam voltadas para a Ásia, com a China no centro, e a Índia ocupando um espaço crescente nesse conjunto.

Os últimos cinco anos, incluindo 2012, farão enorme diferença a favor dos asiáticos, campeões de crescimento, dos quais estamos apenas tomando carona.

É, para nós, o "bônus China", uma explosão de demanda e de preços pagos pelas commodities brasileiras, minerais e agrícolas, que coincidiu matematicamente com a era Lula, estendendo-se agora ao período Dilma.

O Brasil aproveitou parcialmente este bônus. Acelerou a inclusão social através do crédito consignado, das bolsas assistenciais e dos gastos correntes de governo.

Os dólares das commodities fecharam o buraco da dívida externa, possibilitando também ao brasileiro virar o consumidor mais cobiçado dos paraísos de consumo, em Miami, Nova York, Londres, Madri, e até na Ásia. Autos importados, o sonho de consumo dos brasileiros, saltaram à frente da produção local.

O resumo da "Grande Recessão", ao final deste ano, será o seguinte: em números redondos, a China terá avançado 60%; enquanto o conjunto da Ásia e India, cerca 50%; e os países de alta renda, apenas 3%, ou seja, a recessão foi para os ricos! Mas, e o Brasil, a América Latina? Estes ficarão a menos do meio caminho entre o extraordinário avanço dos asiáticos e a formidável recessão dos países ricos.

O crescimento acumulado do Brasil, no quinquênio, não passará de 20%, se tanto, só um terço do avanço chinês e apenas em linha com a média mundial. A América Latina, idem.

Não devemos morrer de amores por esse resultado. O Brasil perde muito, em termos relativos, ganhando espaço, exclusivamente, sobre quem está em crise aguda ou estagnado.

O show continua sendo comandado de fora do Brasil e da nossa região. Tivemos muita sorte com o episódio das commodities em alta, mas fizemos e fazemos vista grossa para os ganhos potenciais de produtividade alcançáveis caso fosse implantado no país um modelo econômico de fato racional e que capitalizasse a base da sociedade brasileira.

Por enquanto, só estamos endividando, e muito rápido, a base da nossa população. Não é o que deveria nos interessar a longo prazo.

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Paulo Rabello de Castro é chairman da SR Rating e presidente do Conselho Estratégico da Fecomercio


Comentários

Marcos Venícius Barreto Magalhães, Lauro de Freitas - BA | 21/01/12 15:15
Caro Paulo Rabello de Castro,

Que para Jô Soares, Paulinho, desde a época em que você reforçou a ira da esquerda contra Collor. E o que resultou disso? Parcialmente, você disse acima, pois a outra parte você elogiou! Ou seja, você deve estar aguardando Dilma lhe convidar para reuniões no Planalto, como Delfim o foi pelo govenante anterior, ainda que o ex-ministro da Fazenda tenha sido chamado de ladrão por esta mesma esquerda que governa o país.

Assim, ou você assume o seu lado gudeniano ou fica petista. Ou você propõe o modelo de crescimento neoclássico (de Solow) ou faça parte dos que querem o Estado de volta e com o PT.

Todos nós brasileiros (os que entendem que o mérito é fundamental no cotidiano) queremos que alguém assuma esta defesa, para o lucro e para o prejuízo (ou seja, que enfrente todos os problemas). E você poderia ser uma dessas pessoas, mas me parece que você tem um caráter fraco, já que (não só neste artigo, mas em outros) você apedreja e bate-palmas a este governo corrupto e incompetente.

Ou você acha que o PT (e coligados) fez e faz um péssimo governo dentro da pespectiva deles, ou você elogia, pois senão ninguém pode lhe acompanhar.

Diga o que você pensa deste governo e da esquerda. Fale alto, mas com educação. Em síntese, enfrente esta molecagem, esta irresponsabilidade que estão fazendo com o Brasil, sem medo, e você será admirado pelos que lhe entenderem, embora apedrejado pela esquerda incompetente.

Tenha coragem!

Ou Brasil está arruinado (já que endividado, com juros de 10,5% ao ano, ou seja, sendo sugado pelo capital financeiro; com desindustrialização; com o conta-corrente do BIP negativo; sem tecnologia, etc., etc.), ou está pagando Bolsa-Família de R$ 100,00 e ensinando ao povo pobre a viver na preguiça, etc., que seria o mérito, assim entendido para os que nada sabem fazer.

Ou o ex-presidente deveria estar no xadrez, ou o Sr. deve conviver com ele, tomando aquela cachacinha.

Paulo, ou queira mandar (ou seja, que se coloque como uma alternativa de governo) ou "cale-se para sempre". Ficar neste meio termo para mim é incompetência.

Depois eu volto com mais vagar.


Paulo Rabello de Castro, RJ | 24/01/12 18:34
Prezado Magalhaes

fico lisonjeado de voce me lançar a lider de uma Oposiçao que infelizmente (para o País) quase não aparece nem comparece.

Mas declino da simpática "nomeação" pois meu papel como economista é opinar, nào me opor ou contestar ex-officio.

De mais a mais, olhe o que eu disse: o Brasil avançou, mas jogou parte do seu potencial fora. Me diga quantos no Brasil fazem essa constatação e oferecem uma alternativa concreta: parte do meu tempo, dedico ao Movimento Brasil Eficiente (www.brasileficiente.org.br) que oferece um caminho concreto de aceleraçao do crescimento. Sem partidarismos .

O Brasil é de todos, até de quem voce náo gosta... Entre na página do MBE e se compromenta com nosso abaixo-assinado e terá feito um gesto concreto. Colabore.

Se indigne, mas não esculache os poucos que estáo tentando propor algo sério. Aliás, desde 1982 (são 30 anos) tenho tentado, quando publicamos nosso primeiro programa economico alternativo ao entao governo dos militares. Eles nunca me convocaram. Tudo mudou, nada mudou. Acho que a Dilma nem sabe que eu existo.
abraço
Paulo


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