Trava-se em Minas Gerais uma disputa para o governo estadual que terá reflexos diretos sobre o resultado das eleições presidenciais de agora e de 2014. De um lado está o ex-ministro Hélio Costa, do PMDB.
Líder nas pesquisas de intenção de votos, Costa vai às urnas com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de todo o PT estadual.
Meses atrás, o partido ameaçou lançar candidato próprio ao governo do estado. Lula não permitiu e os petistas, agora, mostram-se confortáveis ao lado do ex-ministro.
Do outro lado está o atual governador Antônio Anastasia, do PSDB. Ele conta com o apoio de um cabo eleitoral que, ali, tem uma capacidade de transferência de votos equivalente à de Lula: o ex-governador e candidato ao senado Aécio Neves.
Uma vitória de Costa em Minas, segundo maior colégio eleitoral, pode, como subproduto, pôr a candidata Dilma Rousseff na Presidência já no primeiro turno.
A vitória de Anastasia pode, também como subproduto, melhorar as chances de José Serra chegar ao Planalto.
Dito dessa maneira, tudo parece simples como um jogo de damas. Mas o que se joga ali é um xadrez dos mais sofisticados.
Nas eleições anteriores, o Brasil inteiro percebeu o desinteresse de Aécio, então candidato a governador, em trabalhar por seus correligionários, os paulistas José Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006.
Tanto Serra quando Alckmin podem, por força da situação atual, negar incômodo com o corpo mole. Mas isso é inquestionável e a prova mais clara foi a forma determinada com que o PSDB de São Paulo tirou de Aécio a chance de sequer tentar se viabilizar como candidato à Presidência já em 2010.
Tivesse o mineiro demonstrado uma atitude mais "partidária" nas oportunidades anteriores e talvez tivesse angariado confiança dos correligionários em dose suficiente para estar no lugar de Serra.
Desta vez, Aécio, mesmo que não queira, tem que ajudar Serra a conquistar votos. E, além disso, eleger Anastasia para, assim, aumentar seu poder de fogo ao longo dos próximos quatro anos.
Se não for assim, terá dificuldades para, sem uma retaguarda política sólida e sem apoio dos paulistas, articular sua candidatura ao Planalto em 2014.
Pois, se o estado de Minas é decisivo com seus quase 14,5 milhões de eleitores, São Paulo, com seus 30 milhões, é muito mais.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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