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21:07 Segunda, 08 de fevereiro 2010
Ricardo Galuppo

Assim como veio, partiu

22/10/09 07:03 | Ricardo Galuppo 



O momento é de euforia, o Brasil está na moda, tudo corre às mil maravilhas com a economia do país. Mas não custa fazer o papel do chato de plantão e dizer: é hora de o Ministério da Fazenda se preocupar um pouco mais com o futuro e parar de gastar. Ou, pelo menos, de parar de gastar tanto.

Entre janeiro e agosto deste ano, as despesas federais superaram em R$ 50 bilhões as dos primeiros oito meses de 2008 - enquanto as receitas do mesmo período caíram quase R$ 2 bilhões.

Em alta desde o início do ano, os gastos públicos são o único problema que parece ter força suficiente para tirar o Brasil dos trilhos nos próximos anos.

Eles estão muito elevados e tudo leva a crer que crescerão ainda mais.

Na tarde de ontem, um ex-ministro do Planejamento dizia, em tom de preocupação, que o descontrole dos gastos públicos pode fazer o país "perder o passo e levar pelo menos 15 anos para se recuperar".

Exagero de quem já foi e não é mais governo? Pode até ser. Mas a impressão que se tem é a de que Brasília está gastando hoje os recursos que entrarão amanhã no país.

Há, de fato, muito dinheiro chegando. Tanto assim que o dólar fechou em queda logo no dia seguinte ao anúncio do IOF de 2% sobre o dinheiro estrangeiro que chegar para aplicações na Bolsa e em títulos públicos. Ou seja: mesmo com a taxação, o país recebeu dinheiro capaz de derrubar a cotação da moeda americana. 

É preciso reconhecer que, entre os estrangeiros que procuram títulos do governo e ações de empresas brasileiras, há pelo menos dois tipos de investidores.

O primeiro é o dos que realmente apostam porque acreditam no país e parecem ter chegado aqui dispostos a ficar.

O outro é o dos que, simplesmente buscam uma proteção contra a baixa do dólar. Esses últimos é que, daqui a pouco, poderão nos ouvir lamentar que seu dinheiro, "assim como veio, partiu; não se sabe para onde".

O único remédio contra a eventual fuga repentina do dinheiro que chegou tão depressa é não depender dele. Para nada.


Comentários

Carlos Alberto, São Paulo | 09/11/09 00:44
Boa dia . Eu, Carlos Alberto, estudante ultimo ano em Administração, estou fazendo um artigo sobre mercado financeiro. Estou precisando de ajuda. Gostaria de saber onde posso encontrar as taxas reais de JUROS, PIB E INFLAÇÃO nos últimos 10 anos. Desde já agradeço pela grande ajuda. Abraços. Carlos Andrade 11-79741822


Edson Lara, São Paulo/SP | 22/10/09 09:08
Mas, prezado Ricardo, a recuperação da crise financeira não foi justamente através das desonerações fiscais?Parece-me que a conseqüência natural foi o aumento das despesas, queda das receitas e redução das metas fiscais.
Por outro lado todas essas verdinhas chegando, refletem o êxito da política econômica brasileira enquanto no resto do planeta a retração só aumenta.
Enfim, se correr o bicho pega se ficar...


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