A temperatura do ambiente de telecomunicações está subindo depressa e promete explodir os termômetros amanhã (30), em Lisboa, na assembleia da Portugal Telecom para definir se a companhia aceita vender a sua parte na Vivo para a sócia Telefónica.
O suspense se mantém porque uma parcela relevante dos sócios já se manifestou contrária ao negócio.
São eles o Banco Espírito Santo (BES), a Caixa Geral de Depósitos, os grupos Ongoing e Visabeira.
Eles têm sido estáveis em negar a proposta que está sobre a mesa, de € 6,5 bilhões.
Acreditam que esse montante não expressa o valor estratégico que a Vivo tem para o grupo interessado.
E reconhecem, ao mesmo tempo, que a operadora celular encarna o próprio futuro da Portugal Telecom: vendê-la seria dar um tiro no pé.
Há quem aguarde que a Telefónica faça uma nova proposta ainda hoje, se perceber que está arriscada a levar um não amanhã, na assembleia.
Afinal, os 10% de votos que detinha na portuguesa e que foram objeto da operação com os bancos UBS e TGP, tudo indica, ficarão de fora dessa votação tão aguardada.
Se a Telefónica aumentar a proposta, poderá conquistar os cerca de 28% dos votos em poder dos acionistas citados acima.
Neste caso as cifras comentadas no mercado ficam entre € 7,5 bilhões e € 8 bilhões pelos 30% que a Portugal Telecom detém no capital da Brasilcel, holding que controla a companhia móvel no Brasil.
Essa possibilidade é comentada por quem considera que a Telefónica não pode perder mais essa jogada sob o risco de ficar de moral muito baixo.
A companhia espanhola já deixou a GVT escapar no ano passado e não quer que isso ocorra de novo com a Vivo.
Se a assembleia da PT atrair mais gente do que os 67% que compareceram à época da proposta hostil do grupo Sonae, anos atrás, pode atingir 70% ou 80%.
Como 10% estão fora de combate, restam 60% a 70%. Deduzindo os 28% que não querem, tudo vai depender do quórum dessa assembleia. Essa votação vai ficar na história.
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Thaís Costa é editora executiva do Brasil Econômico
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