Enquanto o PSDB foca recursos no Nordeste, PT prefere concentrar verbas na Região Sudeste
Comunidade
Escaldados pelos reveses acumulados pelo governo Lula na Casa, petistas já arrecadaram R$ 5,4 milhões, contra R$ 4,7 milhões dos tucanos.
Favorita nas pesquisas de intenção de voto, com chances de ganhar em primeiro turno, a candidata Dilma Rousseff (PT) tende a enfrentar menos problemas no Legislativo que seu antecessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo menos no tocante à aprovação de medidas de interesse do governo federal no Senado.
Os partidos mostram maior aposta nas campanhas dos candidatos a senador, haja visto os nomes escolhidos para sustentar essas disputas, chamarizes para a arrecadação de verba. E reforçam o caixa das campanhas de suas maiores apostas.
Na primeira prévia de prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os membros do PT que disputam vaga no Senado arrecadaram R$ 5,4 milhões, contra R$ 4,7 milhões dos tucanos, segundo levantamento do Brasil Econômico.
Entre os nomes que captaram recursos e contaram com reforço do partido estão a paulista Marta Suplicy do PT - levantou R$ 992 mil, segundo o TSE, sendo que R$_240 mil veio diretamente do PT.
O fluminense Lindbergh Farias teve contribuição ainda mais generosa: 90% dos R$ 750 mil arrecadados vieram do próprio PT. Pelo lado dos tucanos, a estratégia é a mesma. Um terço do R$ 1,6 milhão arrecadado por Aécio Neves, por exemplo, veio do PSDB.
O investimento dos partidos têm um objetivo concreto:"O Lula perdeu importantes disputas no Senado, como a partilha do pré-sal, a continuidade da CPMF e o aumento da aposentadoria, o que volta o foco do PT para a consolidação de sua presença no Legislativo", diz Valeriano Mendes Costa, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O cientista político Gaudêncio Torquato reforça que a busca para garantir espaço no Senado vem de um aprendizado especialmente do segundo mandato de Lula.
O diretor da Faculdade Escola de Sociologia e Política, Aldo Fornazieri, destaca também que o PT contava com base mais consolidada na Câmara, enquanto no Senado até mesmo representantes de partidos aliados votavam frequentemente contra o governo.
Reforço regional
A estratégia de turbinar a base aliada no Senado teve como foco as regiões de maior vulnerabilidade em representação na Casa. Valeriano Costa ressalta que o investimento nas campanhas deste ano tentaram reverter esse cenário.
Tanto é que o PSDB logrou angariar R$ 2 milhões para os candidatos do Nordeste (onde José Serra mostra dificuldade em subir nas pesquisas para presidente), enquanto no PT, que tem boa representatividade na região, a verba foi de R$ 400 mil.
Na contramão, o PT ampliou esforços no maior colégio eleitoral do país: o Sudeste recebeu R$ 1,8 milhão.
Costa pontua ainda que o provável cenário a ser enfrentado pelos tucanos no Legislativo é decorrente de um atraso na definição das candidaturas para o Congresso, em razão da prioridade dada à escolha do candidato à vice-presidência e de outros problemas internos.
"Há grande risco de a bancada da oposição ser reduzida no próximo mandato. A aliança PSDB e DEM é forte no Legislativo, mas as demais coligações dos tucanos se dissolvem com o partido afastado do governo".
O professor aponta, ainda, que este contexto induz o PSDB a prestar mais atenção ao Legislativo agora que seu candidato começa a mostrar redução das chances de eleição, para que se possam criar condições de garantir oposição no Senado.
O presidente do partido, Sergio Guerra, garante que essa meta será alcançada. Ontem, ele postou no seu twitter que "apesar do Lula entrar na campanha eleitoral de vários estados, a bancada do PSDB no Senado vai aumentar."
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