Durante anos, as principais redações do Brasil foram palco de um conflito velado entre os responsáveis pelo conteúdo editorial e os profissionais encarregados de vender espaço publicitário nos jornais e revistas.
Os do primeiro grupo - ou seja, os jornalistas - sempre desconfiaram da força misteriosa que, na última hora, empurrava para as páginas da publicação anúncios capazes de ocupar o espaço de reportagens que haviam custado horas e horas de trabalho. Um jornal repleto de anúncios, imaginava-se, era a consequência de uma linha editorial tíbia, flexível e, pior do que isso, negociável.
Na outra ponta, os publicitários nunca entenderam a razão pela qual os jornalistas tanto resistiam em abrir espaço para anúncios que, no final das contas, garantiriam o faturamento da empresa e, por consequência, o pagamento dos salários de toda a equipe.
Hoje em dia, felizmente, questões como essa parecem cada vez mais superadas. O ambiente profissional tem evoluído e já é comum encontrar, de um lado e de outro, profissionais que defendem o equilíbrio. Desde que fique claro para o leitor onde começa a publicidade e onde termina o conteúdo editorial, é mais do que desejável a coexistência pacífica entre um e outro.
Numa sociedade democrática, a publicidade, mais do que a principal fonte de receita das publicações, é a grande fiadora da liberdade de expressão. Quanto maior a quantidade de anúncios e, sobretudo, quanto mais variado for o número de anúncios, maior será a certeza do leitor na independência do conteúdo de uma publicação.
O círculo virtuoso desse processo parece extremamente simples: um jornal rico em publicidade dispõe de mais recursos para investir em seu conteúdo e em sua qualidade editorial. Agindo dessa maneira, ele se torna mais atraente para quem de fato interessa: o leitor. Converte-se, por esse caminho, numa mídia mais poderosa e, portanto, mais atraente para os anunciantes.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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