O presidente do BC e os membros do Copom anunciam nesta quarta-feira o novo patamar da taxa básica de juros
Comunidade
A gradual desaceleração da inflação mostrada em indicadores recentes deixou os economistas divididos sobre qual será a decisão do Comitê de Politica Monetária (Copom) do Banco Central (BC) amanhã (21).
Após elevar a Selic em 0,75 ponto percentual (p.p.) por duas vezes, analistas e economistas consultados pelo Brasil Econômico não possuem opinião comum sobre o próximo passo do BC.
Atualmente, a taxa básica de juros do país está fixada em 10,25% ao ano.
A última expectativa do mercado é de que a Selic chegue a 12% até o fim do ano, o que significa uma alta de 1,75 p.p. em relação à taxa atual, segundo apontou o relatório semanal Focus do BC, divulgado na segunda-feira (19). Para 2011, a taxa prevista ficou em 11,75%.
Inflação
A favor daqueles que acreditam na repetição do reajuste de 0,75 p.p. temos a expectativa ainda alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que se encontra acima do centro da meta do governo de 4,50%.
Os agentes de mercado consultados pelo BC estimam que o IPCA encerre 2010 a 5,45%, ante 5,55% na semana passada.
Há quatro semanas, a projeção era de 5,61%. Para o ano que vem, as instituições mantiveram a estimativa de 4,80%.
Expectativas
Confira abaixo a opinião de 11 analistas consultados pelo Brasil Econômico:
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Carlos Alberto Safatle - Presidente do Corecon-SP "Eu acredito que a alta da Selic não passa de 0,50 p.p., mas não vou me surpreender se não houver aumento nenhum. Está havendo uma pressão política no sentido de que um aumento excessivo dos juros prejudicaria a economia em 2011. A inflação já está sendo controlada e a economia mostra sinais de desaquecimento. No final do ano, acredito que teremos uma nova queda, fechando 2010 com a Selic a 10%." |
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Álvaro Bandeira - Diretor da Ágora Corretora "A Ágora vinha trabalhando com uma projeção de 0,75 p.p. para essa reunião, mas em função dos recentes dados de inflação e da própria fala do Meirelles [presidente do BC], a aposta caiu para 0,50 p.p.. Essa reunião é de difícil previsão, com mudança de cenário. Há possibilidade desde uma parada no aumento até uma alta de 0,75 p.p.. Mesmo assim, nossa aposta é em uma alta de 0,50 p.p." |
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André Perfeito - Economista da Gradual Investimentos "Nossa projeção para a Selic permanece inalterada: 75 pontos base de alta nessa reunião, seguida por mais uma de 50, fazendo a taxa fechar 2010 em 11,50%. Este conjunto de alta mais forte agora (75) permite que o BC não avance o aperto na reunião de outubro, em pleno segundo turno da campanha eleitoral. O Banco Central não precisa patrocinar apertos maiores, uma vez que boa parte do ‘serviço sujo' está sendo feito pela a acomodação natural da atividade doméstica." |
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Bruno Lembi - Sócio da M2 Investimentos "Apesar dos dados mostrarem desaceleração da inflação, efeito dos últimos apertos, acredito na alta de 0,75 ponto percentual. Para a próxima reunião, esperamos mais um ajuste, agora de 0,50 ponto percentual. Isso porque o Banco Central está preocupado com a inflação e vai perseguir o centro da meta, que é 4,50%. Após esses dois reajustes, o BC deve fazer uma parada técnica, já observando o cenário para 2011. Mas um reajuste de 0,50 ponto percentual agora é muito cedo". |
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Nastássia Romanó Leite de Castro - Economista da Omar Camargo Corretora "Por mais que o IPCA tenha desacelerado, apostamos no aumento de 0,75 ponto percentual porque a inflação permanece acima do centro da meta (4,50%), a economia está aquecida e temos recorde na criação de postos de trabalho. O arrefecimento dos preços ainda não foi suficiente". |
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Fábio Romero - Economista e Sócio da Brava Investimentos "Apostamos na alta de 0,50 ponto percentual, tomando como base o relatório Focus do Banco Central, que já mostra uma desaceleração da inflação. Além disso, esse reajuste não impactaria tanto o PIB. Uma alta de 0,75 ponto percentual é muito elevada e bastante conservadora. Elevar muito a Selic inibiria o consumo e não seria interessante para a retomada do crescimento. O BC já esgotou o movimento para controle da inflação. Estamos nos aproximando do final do ano e o consumo não pode ser contido. Na próxima reunião, acreditamos que a autoridade monetária vai manter a taxa." |
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Fabio Gallo Garcia - Professor de Finanças da FGV-EAESP "Os dados anunciados, mostrando a desaceleração da expansão da economia, levam à perspectiva de que o Copom deverá optar pela estabilidade da taxa em 10,25% ao ano. Com a taxa básica de juros em 10,25% ao ano, temos uma taxa real acima de 4,5%. Descontada a inflação, arcamos com mais de 4% de juros reais. Apenas para comparação, basta lembrarmos que nos Estados Unidos e na Europa há juros reais negativos." |
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Fabiano Guasti Lima - Pesquisador do Instituto Assaf Finanças e Valor "A tendência é de que haja um aumento entre 0,50 p.p. e 0,75 p.p. Inicialmente era esperado um aumento de 0,75 p.p., mas com o fim dos benefícios fiscais adotados pelo governo houve uma freada da economia. Por isso, talvez o Banco Central não seja tão áspero com os juros. A chance de que não haja aumento é muito baixa. A inflação foi muito alta no começo do ano e continua pressionando." |
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Cláudia Kodja - Diretora da Kodja Informação e Investimentos "Somos da opinião de que o BC vai manter a elevação de 0,75 p.p. nesta reunião. Ainda é possível notar aquecimento do mercado de trabalho, do setor de serviços e o crédito ao consumo continua elevado. A atuação do BC deve ser conservadora, de acordo com a própria história da instituição. Há uma pressão política para que o aumento seja menor e o BC deve fazer uma reafirmação da autonomia da instituição. Esse afrouxamento da política monetária deve se aplicar apenas na reunião de setembro." |
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Júlio Mora - Operador Sênior da Tov Corretora "Os indicadores e notícias que vêm sendo divulgados me fazem crer que a inflação, inclusive o núcleo, está sob controle. O IPCA caiu bem e o índice de atividade econômica saiu bem abaixo da expectativa. Existia um certo consenso no mercado de alta de 0,75 ponto percentual. Isso pode até ocorrer, mas por esses novos dados e pelo comportamento dos DIs futuros, acho que vai haver um aumento mais moderado. Acredito que a decisão do Copom será por aumento de 0,50 p.p.. Para setembro, também acredito que o reajuste será 0,50 p.p." |
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Luiz Simões - Professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) |
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