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Alta frequência desafia infraestrutura do mercado

Conrado Mazzoni   (cmazzoni@brasileconomico.com.br)
12/05/10 08:42


Há dois anos, o mínimo de um link de conexão entre a Chicago Mercantile Exchange (CME) e uma corretora americana era de 100 Mbps

Há dois anos, o mínimo de um link de conexão entre a Chicago Mercantile Exchange (CME) e uma corretora americana era de 100 Mbps

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Corretoras enfrentam congestionamento na conexão com a BM&F Bovespa, que solicita redes de acesso mais potentes e não descarta limitar quantidade de ordens no segmento BM&F.

"Disseram: está vindo um tsunami. Faça um muro alto, mas ele já chegou." As palavras são de um operador de uma corretora de São Paulo para falar do aperfeiçoamento forçado pela convivência com as operações em alta frequência (via algoritmo e computadores ultrarrápidos).

Indo além do tom crítico direcionado à bolsa - embora ele não seja o único -, a frase cabe como uma metáfora ao inesperado, tendo em vista os pesados volumes de negócios registrados recentemente. Nessa maré, todos estão juntos.

Desde meados de abril, a rotina das corretoras tem sido atrapalhada por atraso de sinal e lentidão no recebimento dos dados de ofertas no segmento BM&F. Por trás dos sucessivos recordes de liquidez, há um congestionamento das redes de conexão com a bolsa (os links), cuja origem causa divergência.

Com os ativos brasileiros alçados em vitrines internacionais, e o estímulo ao "co-location" (robô que executa algoritmos e fica hospedado dentro da bolsa), a quantidade de ordens de compra e venda cresce vigorosamente no intervalo de uma semana para outra.

A evolução veio para ficar. Poucos contavam, porém, com demasiada antecedência. De um lado, intermediadores do mercado ponderam que poderiam estar mais bem preparados caso o crescimento fosse mais "ordenado". A BM&FBovespa, por sua vez, não vê saturação no ambiente de negociações e assegura vigiar constantemente os "pontos de gargalo".

Coincidência ou não, no dia 16 de abril, a bolsa publicou um informe exigindo aumento da capacidade da banda mínima dos links de conexão das corretoras para um patamar de pelo menos 4 Mbps por conexão.

Isso representa o dobro do geralmente usado (2 Mbps). "De um mês para cá, estou tendo problemas com a bolsa. Quadruplicou o volume de mensagens nos últimos dois meses", afirma Jansen Costa, gerente de negociação eletrônica da Ativa. "O mercado brasileiro ainda é muito pequeno em relação ao internacional no que diz respeito a algoritmo, mas o que temos hoje já sobrecarrega", comenta outro operador, que pediu para ter não ter o nome divulgado.

"Não fizemos esse nível mínimo por observar congestionamento. Houve, de fato, um aumento de negócios em virtude do crescimento do nosso mercado, e isso é positivo. Em breve, essa banda mínima já não seria mais suficiente. Toda a infraestrutura possui gargalos, que precisam ser melhorados, começando com a etapa dos links", argumenta Márcio Castro, diretor de TI - Sistemas de Informação da BM&FBovespa.

Para agravar a questão, foi estipulado um prazo até julho para o aumento dos links. Porém, as operadoras de telecomunicações requerem, em média, entre 40 e 45 dias para implementar o upgrade. Podendo ser mais, caso a corretora se situe fora do eixo Rio-São Paulo. Há exceções. A CMA diz conseguir ativar uma linha em São Paulo no prazo de 15 a 20 dias.

O ponto é o tamanho. Ninguém quer se dar ao luxo de passar por instabilidade em um pico. "Eu não vou colocar 4 Mbps. Vou colocar 24 Mbps. Não tem volta, esse momento é um divisor de águas. Em um dois anos, serão 100 Mbps. Não tenho postura de reclamar. Acho somente que toda essa mudança poderia ser mais devagar", acrescenta o gerente da Ativa.

Com os links mais fortes, a bolsa espera que o sufoco da rede seja amenizado. Se a situação piorar, cogita limitar as ordens? "Com certeza. Temos monitoramento em tempo real e estamos atentos", ressaltou o diretor da BM&FBovespa.


Comentários

Helder, Campo Mourão - Pr | 12/05/10 09:33
isto é problema.


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