A opinião é do presidente do Bradesco; para ele, convergência das taxas interna e externa está próxima.
A maior participação dos bancos nos financiamentos de longo prazo depende da convergência entre as taxas de juros externas e internas e de uma menor emissão de títulos públicos, segundo avaliação do diretor presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi.
"À medida que o Tesouro Nacional demande menos (financiamento público), os recursos serão colocados à disposição dos investimentos", disse, após participar ontem de evento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).
De acordo com o executivo, a convergência das taxas já está em andamento, com algumas empresas brasileiras conseguindo captar no exterior com taxas inferiores ao de companhias de outras nacionalidades.
A aproximação entre o custo externo e interno de captação possibilitará que os bancos elevem o volume de concessões de crédito com custo competitivo e prazo maior. No entanto, para que esse dinheiro seja destinado a empréstimos de longo prazo a empresas, é necessário maior equilíbrio fiscal por parte do governo federal.
Na projeção do Plano Anual de Financiamento (PAF), o Tesouro anunciou para 2010 uma necessidade de financiamento líquida (já descontando os recursos orçamentários) de R$ 320,2 bilhões.
No ano passado, essa necessidade era de R$ 309,2 bilhões. Trabuco lembrou que há liquidez de recursos, mas que parte dele está aplicada em títulos públicos.
Outro fator que beneficiará as empresas é o desenvolvimento do mercado de capitais. O executivo avalia que há espaço para dobrar o número de companhias abertas no Brasil.
Hoje, existem 465 empresas com registro na Bovespa. "As empresas, em especial as familiares, estão percebendo que o mercado de capitais é uma grande fonte de recursos."
Acrescentou ainda que as companhias passam por uma fase de expansão de renda e possibilitam a ampliação das vagas de trabalho.
O executivo voltou a afirmar que o Brasil passará por um ciclo de crescimento sustentável que se difere dos anteriores.
"Em nosso contato diário com as 1,4 milhão de empresas que são nossas clientes sentimos que o Brasil está crescendo em todos os setores e segmentos", avalia.
Trabuco admite, porém, que embora o país vivencie essa expansão com sustentabilidade, ainda terá de conviver por mais alguns anos com os "descompassos do crescimento", em especial aqueles relacionados à infraestrutura urbana, como falta de transporte público adequado.
Com a necessidade de desenvolvimento do país, uma das apostas do banco é na área de construção civil, setor em que Trabuco não vê risco de bolha, uma vez que o crédito para a compra da casa própria representa menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Além disso, a instituição espera a elevação da inserção dos produtos de seguridade. O executivo lembra que o consumo médio no Brasil desses produtos é de US$ 300 ao ano no segmento, enquanto em outros países chega a US$ 2,5 mil.
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