Na semana passada, estiveram no Brasil o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, e o Primeiro Ministro Português, Pedro Passos Coelho, sinalizando uma intenção clara de aprofundamento das relações entre os dois países.
O Presidente Aníbal Cavaco Silva, a caminho da XXI Cimeira Ibero-Americana, desembarcou em São Paulo para participar e ser homenageado no 99º aniversário da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, em um jantar realizado na Hípica Paulista, que reuniu cerca de mil pessoas. Já o Primeiro Ministro Português encontrou-se, em Brasília, com a Presidente Dilma Rousseff.
A relação entre os dois países é histórica, mas tal como reconheceu o ex-Presidente Lula da Silva no mesmo evento da Câmara de Comércio no ano passado, os dois países têm vivido relativamente afastados nos últimos anos.
Mais do que histórica, a relação entre os dois países é familiar e genética. Estatísticas revelam que vivem no Brasil mais de 700 mil portugueses. E estima-se que existam cerca de cinco milhões de netos de portugueses no Brasil, que ao abrigo da Lei atual poderiam requerer dupla nacionalidade.
Desde que Álvares Cabral acostou na Terra de Vera Cruz, mais de dois milhões de portugueses emigraram para o Brasil, fluxo que voltou a se intensificar nos últimos dois anos, devido ao agravamento da situação econômica em Portugal. No entanto, a estatística que mais impressiona foi revelada pelo pesquisador Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, que afirma que cerca de 50% dos cromossomos Y da população brasileira são oriundos de portugueses. Significa que mais de 45 milhões de brasileiros devem ter cromossomos Y de origem portuguesa.
Apesar desta "ligação molecular" entre Portugal e Brasil, a relação comercial entre os dois países é modesta. O peso de Portugal nas importações brasileiras era de 0,2%, em 1990, e agora é de 0,35%, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro.
De igual modo, em 1990, o mercado português representava cerca de 0,7% das exportações brasileiras e este ano vale 0,9%. Ou seja, nos últimos 20 anos não se registraram alterações estruturais na relação comercial entre os dois países. Apesar de tudo, os sinais são positivos - nos primeiros sete meses de 2011, registraram-se aumentos superiores a 50% das exportações de um país para o outro.
Um exemplo eloquente da oportunidade de aprofundamento de relações comerciais é o do vinho. Em 2010, Portugal foi o quarto maior país exportador dos vinhos comercializados no Brasil. Exportou oito milhões de litros contra 26 milhões de litros de vinho chileno, que permanece no topo da lista.
A participação dos vinhos chilenos no mercado brasileiro é três vezes superior à dos portugueses, apesar da produção portuguesa ser apenas 35% menor do que a chilena e da qualidade dos vinhos e castas portuguesas em nada ficarem devendo às dos chilenos.
Em 2012, vão celebrar-se conjuntamente os anos de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal. Estas comemorações, além de culturais, deveriam marcar o início de uma nova agenda luso-brasileira de relacionamento econômico e comercial.
O Brasil tem um mercado de quase 200 milhões de pessoas que interessa aos produtos portugueses e Portugal pode facilitar a entrada de produtos brasileiros no continente Europeu. Para além da genética e língua comuns, uma forte ligação econômica e comercial pode unir, ainda mais, os dois países.
----------------------------------------------------------
Miguel Setas é vice-presidente de Distribuição e Inovação da EDP no Brasil
Comentários
Últimas Notícias
- 21:00
Encerramento do Noticiário - 20:56
Primeiro dia da Lei de Acesso à Informação sistema tem 700 consultas - 20:44
Impacto do dólar sobre exportações levará tempo para ser sentido - 20:30
Rede Hortifruti investe em novas lojas ao longo de 2012 - 20:18
Grécia precisa se ater aos termos de resgate, diz Lagarde - 20:00
Fox Sports Brasil lança aplicativo para iPhone - 19:40
Com resultado operacional, ação da Petrobras sobe 4,33%







