A insegurança em relação ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para entradas de investimentos estrangeiros em ações locais e renda fixa provoca não apenas a desvalorização do Ibovespa e o avanço do dólar, mas também a queda expressiva das ações da própria BM&F Bovespa (BVMF3).
Às 16h45 (horário de Brasília), as perdas eram de 9,74%, a R$ 12,23.
O economista sênior do Santander Asset Management, Ricardo Denadai, lembra que esta não é a primeira vez que o governo brasileiro usa essa medida com a finalidade de evitar a apreciação cambial, visto que em março de 2008, a Fazenda instituiu IOF de 1,5% sobre as entradas de investimentos estrangeiros para renda fixa, mas o mercado de ações ficou isento.
Na ocasião, a taxa de câmbio recuou por algumas semanas (a partir de R$ 1,68 para R$ 1,74), mas voltou para a tendência de apreciação, caindo abaixo de R$ 1,60 no final de junho.
"Esta medida pode trazer insegurança aos investidores estrangeiros, especialmente no mercado de ações, em relação às regras do jogo.
Vale a pena lembrar que o mercado de ações está sendo uma importante fonte de financiamento do investimento das empresas.
A economia brasileira tem uma necessidade enorme de investimentos privados, especialmente agora com a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos, em 2016", diz o economista.
Além disso, a medida pode ser ineficaz, pelo fato de a apreciação do real ser uma conseqüência da depreciação do dólar em todo o mundo e do sucesso do Brasil, "pois é hoje uma das economias mais bem posicionadas, com perspectivas fortes de recuperação, sustentadas pela sua demanda interna (mercado de trabalho forte e expansão do crédito)", diz Denadai.
Desta forma, o economista avalia que, mesmo com essa medida, a tendência do real é a de valorização e que o melhor seria focar nas relações de comércio externo e ganhos de produtividade dos setores de exportação.
Para Peter Ho, gerente de análise da Brava Investimentos, a decisão de tributar os investimentos estrangeiros faz parte de uma estratégia do governo de equilibrar suas próprias contas. "Mas, diante disso, foi acesa a luz amarela para o mercado brasileiro", afirma.
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