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Ricardo Galuppo

Acertar no que não viu

24/08/10 07:22 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



Alguns dos lances mais interessantes da atual campanha eleitoral têm acontecido em Minas Gerais. Ontem, o juiz Octavio Augusto De Nigris Boccalini, do Tribunal Regional Eleitoral, restringiu a presença da candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) na campanha do líder das pesquisas para o governo estadual, Hélio Costa (PMDB).

No mesmo despacho, Boccalini determinou a redução das aparições do candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB) nos programas de seu correligionário Antonio Anastasia.

O juiz entendeu que, ao falar de suas próprias realizações nos programas eleitorais dos dois candidatos, Dilma e Aécio, na verdade, estão aumentando sua própria exposição. E que isso prejudicaria seus adversários.

A decisão não deixa de ter lógica. Mas é o tipo de disparo que acerta aquilo que o atirador não viu. Ou preferiu não ver. O que coloca Dilma (que fala pelo presidente Lula) e Aécio na propaganda eleitoral de Costa e Anastasia é a constatação de que, sem esses padrinhos, as chances dos candidatos sofrem uma redução considerável.

O lado mais interessante da decisão é que ela coincide com a divulgação, pelo Ibope, de uma pesquisa que aponta uma queda considerável na distância que separa os dois candidatos.

Costa lidera com 38% das intenções de voto, uma folga de 11 pontos percentuais em relação a Anastasia. Mas a diferença era bem maior, de 18 pontos, no levantamento anterior.

É evidente, diante desse cenário, que a decisão do juiz afeta de forma muito mais direta a candidatura do PSDB. Governador desde que Aécio deixou o posto para disputar o Senado, Anastasia ainda é um nome pouco conhecido no estado e suas chances de vitória, como se sabe, estão diretamente vinculadas ao apoio de Aécio.

Se esse apoio não puder ser manifestado, talvez ele perca o fôlego e deixe de subir.

Isso prova que Aécio tem mesmo poder de transferir votos e deixa no ar a sensação de que, se o ex-governador se empenhasse um pouco mais, o candidato à Presidência pelo seu partido, José Serra, talvez tivesse um desempenho melhor em Minas. Mas o apoio não existe.

A fotografia de Serra nem sequer aparece no material de campanha de Anastasia e Aécio, deixando no ar a sensação de que os dois não moverão uma palha pela eleição do tucano.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


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