Se não houvesse outras, o placar da votação que propõe um novo critério de partilha dos royalties do pré-sal já seria evidência suficiente da distância que separa a tese defendida pelos políticos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo dos demais estados do Brasil.
Foram 369 votos a favor da emenda que propõe uma distribuição proporcional do dinheiro entre todos as unidades da federação contra apenas 72 que defendem que somente os estados produtores fiquem com os recursos.
O projeto seguirá agora para o Senado e tudo indica que, ali, os representantes dos estados que apoiaram a proposta vencedora, apresentada pelos deputados Ibsen Pinheiro e Humberto Souto, conseguirão nova vitória.
Pinheiro é do PMDB do Rio Grade do Sul. Souto, do PPS de Minas Gerais - ou seja, estados que ficariam fora da partilha caso fossem mantidas as regras atuais.
Assim, restará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que pensa como os 72 parlamentares derrotados na última quarta-feira) o recurso pouco simpático do veto à medida aprovada pelo Congresso.
A questão é: será que, em pleno ano eleitoral, o presidente negará dinheiro a 24 das 27 unidades da federação?
Boa parte da incrível popularidade de Lula se deve à ideia distributivista que ele defendeu desde o primeiro dia de seu mandato.
O presidente sempre insistiu na necessidade de dar um pouco mais a quem tem menos - mesmo que o custo disso seja tirar de quem tem um pouco mais.
Será que a popularidade do presidente é alta o suficiente para convencer os governadores do Nordeste, que sempre o apoiaram, a abrir mão daquilo que já consideram um direito líquido e certo?
Como o candidato de Lula ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, explicará ao eleitor de um estado que vive um dos mais sérios problemas fiscais do país que o certo é deixar todo o dinheiro com o Espírito Santo, o Rio de Janeiro e São Paulo?
A questão política em torno do pré-sal não é tão simples quanto parece e, com certeza, estará presente no debate eleitoral.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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