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Rafael Paschoarelli

A segurança do Tesouro Direto

09/08/10 07:22 | Rafael Paschoarelli - Professor de Finanças do Departamento de Administração da USP



Cada dia mais brasileiros descobrem as vantagens de investir no Tesouro Direto, programa criado pelo governo federal em 2002 e que permite às pessoas físicas comprarem títulos públicos federais obtendo rendimentos substancialmente superiores aos da caderneta de poupança, Fundos DI e de Renda Fixa ofertados pelos grandes bancos ao segmento de varejo.

Contudo, nem tudo são flores.

Um obstáculo é o fato de o investidor conservador iniciante "gelar" quando escuta que precisa de uma corretora para comprar os títulos públicos.

É necessário desfazer a ideia (errada) de que a corretora apenas vende ativos arriscados.

Essa falsa ideia existe porque é de conhecimento geral que precisamos das corretoras para comprar ações que são, intrinsecamente, investimentos arriscados.

No entanto, o fato de a corretora ser intermediária na venda de ações, opções e tantos outros instrumentos financeiros em nada aumenta o risco de se comprar títulos públicos federais usando a corretora.

Lembre-se: ao comprar um título público federal por meio de uma corretora, corre-se o risco de crédito do governo federal e não o da corretora escolhida para servir como intermediária da operação.

Trocando em miúdos, o risco de não recebimento dos investimentos é próximo a zero, pois ninguém imagina que o governo federal dará o calote em quem financia sua dívida.

Um segundo dilema enfrentado pelo investidor é escolher a corretora pela qual as compras de papéis governamentais serão realizadas.

Existem corretoras que cobram 4% do valor da operação e também existem algumas que cobram 0% (isso mesmo, zero!) para se operar no Tesouro Direto.

Deixo para o leitor fazer sua escolha. No site do Tesouro Nacional (www.tesouro.fazenda.gov.br), há uma lista das corretoras autorizadas a intermediar tais operações, bem como explicações sobre a natureza de cada título (atrelado à inflação ou à Selic, entre tantos outras opções oferecidas).

Por último, vejo como maior risco para os iniciantes o desconhecimento do fato de que o rendimento prometido pelo título no ato da compra apenas é garantido, se e somente se, o título for levado a vencimento.

Isso é, uma LTN (Letra do Tesouro Nacional) vencendo em 01/01/2013 prometendo rendimento de 12% ao ano (rendimento bruto) apenas cumprirá sua promessa (de render 12% ao ano) se o investidor ficar com o título até seu vencimento.

No exemplo em questão, se o investidor quiser vender o seu título antes de 01/01/2013, não valerá o rendimento prometido no ato da compra do papel.

Seja para o pequeno ou grande investidor, o Tesouro Direto se configura hoje como uma das melhores alternativas de investimento para as pessoas bem informadas. Bons investimentos!

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Rafael Paschoarelli é professor de finanças da USP


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