O plano da BM&F Bovespa de, até 2014, elevar para 5 milhões o número de pessoas físicas que investem em ações no Brasil é um dos mais importantes movimentos feitos pela iniciativa privada no sentido de mudar o perfil da poupança e estimular o investimento produtivo no país.
A ideia da instituição, que já conta com 600 mil investidores individuais cadastrados, é mostrar às pessoas da classe C as vantagens de tornarem-se sócias de empresas cujas ações poderão lhes render muito mais do que as formas convencionais de poupança - sobretudo a velha caderneta e os fundos lastreados em títulos federais.
Caso o projeto evolua no ritmo previsto, o investidor ficará mais independente e, por exigência natural do mercado de capitais, muito mais bem informado naquilo que diz respeito à vida das empresas e às tendências da economia. Só assim, bem informado, ele será capaz de compreender que oscilações como as que ocorreram ontem (o Ibovespa chegou a cair 2%, mas fechou 0,08% acima do dia anterior) são normais no mundo das ações.
Mas que, no longo prazo, as chances de ganhar são muito maiores do que as de perder. Isso, naturalmente, se a organização geral da economia proporcionar às companhias melhores condições de crescimento.
Essa, aliás, pode ser uma consequência indireta da ampliação do número de investidores em ações. Um crescimento expressivo de clientes individuais da BM&F Bovespa fará com que mais gente se preocupe com a saúde das empresas e se dê conta de que o modelo tributário adotado pelo país afeta diretamente a contabilidade e reduz o lucro das organizações e, portanto, os dividendos pagos aos acionistas.
Talvez por esse caminho, mais gente passe a pressionar o governo a discutir o custo tributário no Brasil. Uma das razões pelas quais o governo não se mexe para alterar o atual sistema é que a maioria das pessoas é incapaz de enxergar o problema tributário em toda sua extensão e, portanto, não está nem aí para ele.
A partir do momento em que os impostos passarem a prejudicar seus investimentos de forma inquestionável, isso mudará. Com certeza, mudará.
----------------------------------------------------------
Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
Comentários
Últimas Notícias
- 21:00
Encerramento do Noticiário - 20:59
Pressão negativa na bolsa brasileira deve permanecer - 20:40
Suzano tem produção impactada por parada não programada - 20:29
Twittadas da semana - 20:16
MLS tem crescimento, com público maior que o do Brasileirão - 20:00
Light Energia adquire 51% da Guanhães Energia - 19:48
Eficiência da Coca-Cola vai reerguer Neugebauer







