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Paulo Rabello de Castro

A esperança mora na Ásia

13/01/12 07:31 | Paulo Rabello de Castro - Chairman da SR Rating e presidente do Conselho Estratégico da Fecomercio



Em momentos de grandes dúvidas, é importante ancorar o otimismo em boas projeções.

É o caso da nova versão do trabalho de futurologia econômica de Jim O'Neill e sua equipe na Goldman Sachs (ele agora chefia a GS Asset Management, alocando um gigantesco portfólio de ativos).

A pesquisa é a que deu origem ao acrônimo Bric - Brasil, Rússia, Índia e China, ou, na versão política, Brics, com a África do Sul - referida ao trabalho original de 2003, quando se constatou que os países emergentes iriam disparar, em tamanho de PIB, à frente dos países avançados da atualidade, só permanecendo no páreo os EUA, que, mesmo assim, seriam passados pelo PIB da China por volta de 2026.

O'Neill, chefe da equipe que bolou o termo Bric, reunindo em quatro letras todo o sentido da revolução econômica por eles antecipada, passou a se exprimir a respeito da chamada "convergência" de PIBs, ou seja, a redução da espantosa diferença no tamanho das economias nacionais ao redor do mundo, entre avançados e subdesenvolvidos, apelidando-a de ‘A Grande Transformação'.

Acabam de atualizar aquelas projeções com o benefício de revisar a primeira década, quase passada, desde 2003.

E, das antigas futurologias, muito se confirmou e pouco se alterou, senão para reforçar que esta primeira metade de século será asiática.

A nova pesquisa trouxe, entretanto, duas constatações suplementares: a emergência da África, onde vários países já despontam com taxas de crescimento semelhantes às do "milagre brasileiro", e a presença marcante dos chamados N-11, outro termo cunhado para se referir aos Next Eleven, os próximos 11 países a se aproximarem dos Bric, com expressiva capacidade de consumo.

Especificamente, o N-11 deverá contribuir mais que os EUA para somar ao PIB mundial nesta década (2011-2020), algo como mais US$4 trilhões, contra US$ 3,5 trilhões.

Em comparação, a China sozinha deve contribuir com mais US$8 trilhões na década. O N-11 inclui México, Coreia, Indonésia, Turquia, Irã, Egito, Nigéria, Bangladesh, Paquistão, Filipinas e Vietnã.

A melhor conclusão da GS é sobre o crescimento global nesta década, iniciada sob signo de uma enorme crise: projeta o PIB mundial tendo forte desempenho - 4,3% ao ano até 2020 - tudo devido ao impulso dos Brics, com a China à frente, e a parcela vinda dos "Mercados de Crescimento", aí incluídos os N-11.

A posição do Brasil continua invejável nas projeções da GS. Seria o quarto país em tamanho de PIB, algo como US$8 trilhões, em 2050, embora muito atrás, quantitativamente, da China (mais de US$50 trilhões), dos EUA (cerca de US$35 trilhões) e da Índia (US$25 trilhões).

Mais preocupante é a diferença já contabilizada, no ano passado, por exemplo, entre o crescimento brasileiro, na faixa de 3%, e dos concorrentes China e Índia.

Trata-se de uma diferença claramente estrutural, em função da nossa muito menor capacidade de formar e acumular capital produtivo. Gastamos demais no setor público.

Este gasto público, que é predominantemente de consumo (salários, pensões, assistência, bolsas etc.) e não de investimento (infraestrutura e outros), se torna um freio ao nosso crescimento futuro.

Temos um modelo econômico que nos condena a funcionar muito abaixo do potencial desempenho brasileiro. Um time de vencedores, mas condenado a amargar placar sofrível por má orientação técnica e política.

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Paulo Rabello de Castro é chairman da SR Rating e presidente do Conselho Estratégico da Fecomercio


Comentários

Claúdio Thé, Recife-PE | 14/01/12 14:31
Estranho o Brasil ainda ficar tão atrás dos EUA e da Índia. Afinal com o crescimento do consumo da classe média mundial e da globalização no setor industrial, que é o forte dos EUA. Restaria como filé os recursos advindos dos setor de energia e de alimentos, ambos com tendência decrescente de crescimento, senão deficitário dos EUA e índia.


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