No início do ano passado, enquanto a imprensa brasileira mostrava-se preocupada com o impacto da crise internacional sobre a economia doméstica, o empresário Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar, telefonou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na conversa, Diniz expôs uma visão que contrariava a percepção geral de que o Brasil marchava atrás da economia mundial para o fundo do precipício.
Sustentado por dados de que pouca gente dispunha naquele momento, o empresário argumentou que a crise afetava apenas as pessoas que tinham dinheiro aplicado na bolsa de valores. O brasileiro comum continuava comprando de tudo.
Aqueles dados não vinham sozinhos. Outro sinal de que os números brasileiros apontavam em uma direção contrária à dos demais países foi dado pelos bancos.
Enquanto instituições dos Estados Unidos e da Europa buscavam junto aos cofres públicos a ajuda bilionária de que necessitavam para sobreviver à arapuca que eles mesmos armaram ao conceder crédito imobiliário sem a devida cautela, os bancos brasileiros tinham balanços vistosos para mostrar a seus acionistas e a todo mercado.
Varejo e bancos se mostraram, como se viu, peças fundamentais na estratégia do governo para impedir que a crise batesse forte no Brasil. Se não contasse com centenas de empresas sólidas e bem geridas (um aspecto que pouca gente reconhece), o país jamais teria força suficiente para sair da crise na velocidade em que saiu.
O Brasil saiu da crise apoiado em seu mercado interno.Do qual fazem parte, naturalmente, a indústria, o comércio e os bancos.
Esse aspecto terá que ser levado em conta agora, quando os bancos começam a publicar seus balanços. O lucro do Bradesco, divulgado ontem, foi de R$ 8 bilhões.
Cerca de 5% superior ao de 2008. É, não resta dúvida, um número altissonante, vistoso. Mas, antes de ser avaliado pelo valor que representa, deve ser visto à luz da qualidade da empresa que o gerou.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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