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José Anibal

A Aneel precisa cumprir seu papel

20/01/12 07:18 | José Anibal - Economista, deputado federal (PSDB) e secretário estadual de Energia de São Paulo



No fim de 2011, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) perdeu outra oportunidade de contribuir decisivamente para a melhoria do fornecimento de energia aos consumidores brasileiros.

Em audiência pública, a Secretaria de Energia, o Procon, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Proteste e a Federação Nacional dos Engenheiros solicitaram à Aneel o fim do falseamento nos indicadores de qualidade do fornecimento de energia.

Isto é, do artifício de expurgar das estatísticas os dias considerados atípicos. A Aneel não só descartou a medida, como recuou de sua posição inicial, que previa acabar com os expurgos num dos indicadores mais importantes para a definição das multas aplicadas às concessionárias.

Pior: foi definido que, em dias atípicos, o limite de tempo para o restabelecimento da energia sem pagamento de multas - fixado em mais de 12 horas - seria único para todas as áreas urbanas do país.

É inaceitável que centros urbanos de alta complexidade, com grandes redes de serviços públicos, mobilidade, tecnologia da informação e segurança, tenham padrões de atendimento em emergência similares às áreas com baixa densidade populacional.

O argumento da Aneel é que a medida traria um superdimensionamento de equipes em dias normais, gerando custos e ociosidade. Porém, como sabem os especialistas em operação, as empresas jamais redimensionaram suas equipes de atendimento em dias atípicos.

A prática é redirecionar recursos vinculados a outras atividades - como manutenção, construção de redes e serviços comerciais - para emergências. Isto significa apenas que as empresas teriam de estabelecer sistemas mais ágeis de ativação de turmas complementares caso necessário. Numa palavra: eficiência.

Sem a maquiagem dos expurgos, o desempenho real das empresas caiu a níveis próximos aos de 2001. Vale lembrar que foram expurgadas dos indicadores as interrupções em São Paulo entre os dias 7 e 9 de junho de 2011, quando consumidores ficaram até 72 horas sem energia.

Outro problema são as fiscalizações. A Aneel, por força de convênio, transfere sua atribuição fiscalizatória em São Paulo à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), sendo responsável pelo custeio integral da atividade. Mas o contingenciamento de recursos tem comprometido a execução das fiscalizações, em prejuízo do consumidor.

No limite de suas atribuições, o governo de São Paulo se viu obrigado a assinar um convênio de transferência de recursos do Tesouro Estadual à Arsesp para a preservação de condições fiscalizatórias aceitáveis.

É natural que as empresas tentem impor suas vontades. Já o dever do poder público é cuidar dos interesses do cidadão. Um ambiente regulatório mais severo seria ferramenta importante para a defesa da população, sobretudo no período de chuvas.

Num regime de concessão, a função da agência reguladora é zelar pelo cumprimento dos contratos e pela defesa do consumidor. Sem independência ou empenho, a Aneel tem tudo para se tornar mais um obstáculo ao desenvolvimento que os brasileiros almejam e merecem.

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José Aníbal é economista, deputado federal (PSDB) e secretário estadual de Energia de São Paulo


Comentários

Jose Raimundo da Silva, São Paulo / São Paulo | 20/01/12 23:23
Trabalhei em uma das distribuidoras de São Paulo por 24 anos, ocupando diversos cargos e fui responsável por uma Regional atendendo vários municípios da área de concessão dessa Empresa.

As observações feitas pelo Sr. José Anibal estão corretíssimas, a possibilidade de expurgo das ocorrencias em dias atípicos é uma prática que vem sendo aplicada ha muito tempo e que tem sido usada não só para estas situações, mas também para lugares que ficam em segundo plano na prioridade de restabelecimento sob o argumento de áreas de difícil acesso ou de risco.
, com claro intuito de mascarar o desempenho das Empresas no restabelecimento do serviço de fornecimento de energia elétrica.

Tal justificativa foi aceita por diversas vezes pela própria ARSESP, o que abriu um precedente na apuração dos indicadores de qualidade do fornecimento de energia elétrica que prejudica diretamente o cliente, principalmente a partir do momento em que foram instituidos os indicadores de qualidade individuais.

Aliás, como pode o cliente ter a certeza de que os indicadores de qualidade individuais estão calculados corretamente se o único que define o controle das durações e frequencia das ocorrencia e as informa é a própria Concessionária, sem que tenha o cliente a menor condição de contestar os dados passados pelas Distribuidoras? Isso é a mesma coisa que deixar o gato tomar conta do passarinho.

Quanto ao dimensionamento de equipes é claro também que não é feito para dias críticos, eu mesmo quando era Diretor determinei que fossem utilizadas para o atendimento emergencial as equipes que realizavam serviços de corte e religação de energia e de combate a ligações irregulares, além claro, de todos os demais recursos alocados em manutenção e construção de redes.

Entretanto, meu ponto de vista vai além da questão de quantas equipes estão disponíveis nos momentos críticos.

Deve ser adotado um padrão que permita que o sistema de distribuição de energia elétrica de média tensão (tensões abaixo de 60.000 volts) seja mais robusto e menos sujeito a interrupções por contatos eventuais.

Adicionar tecnologia que permita uma melhor gestão dos sistemas elétricos e maior agilidade para a identificação, caracterização do tipo de ocorrencias e localização das mesmas ajudaria muito na redução do tempo de restabelecimento e quantidade e frequencia de interrupções

Este é um ponto em que se faz a troca de gastos operacionais por investimento no sistema elétrico, neste ponto inclusive, a ANEEL precisa incluir no seu banco de dados materiais, equipamentos e sistemas que tragam ganhos tecnológicos para o sistema elétrico e seus usuários associado a ganhos de qualidade de no fornecimento de energia elétrica


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